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30/01/2009

Eduardo Frei aspira novamente à presidência do Chile

El País
Manuel Délano Em Santiago
Aos 66 anos, com sua inscrição para as primárias da coalizão que governa o Chile desde 1990 de maneira ininterrupta, o senador democrata-cristão Eduardo Frei iniciou a corrida para suceder a Michelle Bachelet na presidência da República, cargo que ele já ocupou entre 1994 e 2000.

Para voltar ao Palácio La Moneda, Frei deverá vencer dois obstáculos. O primeiro, que os analistas consideram mais fácil, é a batalha que poderá oferecer nas primárias governistas o senador e ex-ministro da Justiça José Antonio Gómez, presidente do Partido Radical Social-Democrata, a menor coletividade da Concertación (coalizão de partidos políticos chilenos onde confluem social-democratas e democratas-cristãos). Muitos apostam que Gómez não conseguirá chegar até a última primária, a de Santiago, em 17 de maio, por falta de recursos para sustentar a campanha e porque depois da retirada do ex-presidente Ricardo Lagos e do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza (de uma corrida na qual nunca entraram completamente), Frei chegou à disputa com o apoio de democratas-cristãos, socialistas e do Partido pela Democracia, três dos quatro maiores partidos da Concertación.

Anteriormente, a senadora e ex-ministra Soledad Alvear se demitiu da presidência da Democracia Cristã (DC) e abandonou a competição pela presidência ao ver que não subia nas pesquisas, assim deixando o caminho livre para Frei. O principal obstáculo que ele tem pela frente é o empresário Sebastián Piñera, o representante da direita, cuja fortuna é estimada em US$ 1,3 bilhão, que depois de ser derrotado por Bachelet em 2005 começou imediatamente a corrida para a eleição presidencial de dezembro de 2009 e que agora tem uma grande vantagem em todas as pesquisas sobre seu rival democrata-cristão.

Por enquanto, a Concertación só pede a Frei para forçar um segundo turno, apesar do esperado impacto da crise econômica internacional, que se traduzirá no Chile em maior desemprego e menor crescimento, para então tentar derrotar Piñera. Entretanto, a direita aspira a ganhar sem chegar à recontagem de votos.

Com um período presidencial de quatro anos sem reeleição, os chilenos deverão se acostumar à repetição de rostos nas eleições para La Moneda. Logo haverá vários ex-presidentes e candidatos derrotados que podem aspirar a uma segunda oportunidade. De fato, a batalha de dezembro de 2009 será entre um ex-presidente e um ex-candidato presidencial. A própria Bachelet fica situada como candidata para a eleição de 2013, depois de se recuperar nas pesquisas e de estar se transformando em uma figura querida pelos chilenos.

Frei, um engenheiro civil e hidráulico e empresário, também tem como desvantagem a forma como terminou seu governo, em meio a uma recessão provocada pelo ajuste diante da chamada crise asiática, que quase custou a vitória a Lagos contra Joaquín Lavín, e obscureceu os primeiros anos de crescimento e modernização de seu mandato.

Mas o sobrenome Frei é quase uma marca na política chilena. Seu pai, Eduardo Frei Montalva, foi presidente entre 1964 e 1970, encabeçou a oposição contra Salvador Allende e depois de apoiar inicialmente a ditadura liderou as forças contrárias ao general Augusto Pinochet, até sua morte em uma clínica privada onde foi operado. A justiça investiga se, como acreditam a família Frei e muitos no Chile, a ditadura mandou envenenar o ex-presidente. Os exames encontraram indícios de que foi assim e espera-se uma rápida resolução do juiz encarregado do caso.

Quarto de sete irmãos, Eduardo Frei Ruiz-Tagle se dedicou tardiamente à política. Considerado sério, de oratória frágil e até aborrecido, sua falta de loquacidade é mais atribuível à timidez, porque em particular tem senso de humor. Para esta campanha mudou seu estilo. Hoje está mais desenvolvido e seguro de si. Saiu em último lugar nas preferências das pesquisas, mas começou a ganhar terreno na medida em que seus adversários da Concertación se retiravam. Flertou até com a esquerda e depois propôs uma nova Constituição para o Chile em 2010, no bicentenário da independência, a mais sólida que fez algum dos candidatos.

Declarou estar disposto a abrir espaço parlamentar para os comunistas, que 19 anos após a volta da democracia ainda não conseguiram eleger um deputado ou senador, pelo sistema eleitoral criado pela ditadura. A rigor, segundo indicam as pesquisas, sem esses votos não poderia vencer Piñera. De todos os possíveis candidatos da Concertación, Frei é o que mais pode evitar a drenagem de votos do centro para Piñera, que votou contra o ex-ditador Pinochet no plebiscito de 1988.

Frei já teve uma disputa eleitoral direta com Piñera, em 1989, o último ano do governo Pinochet, para chegar ao Senado. Na época Frei quase duplicou os votos de Piñera, com 41% contra 21,9%, obteve primeira maioria nacional e ambos chegaram à Câmara Alta. Mas então a Concertación não sofria o desgaste de 19 anos de governo. Frei superou esse registro ao ser eleito presidente com 57,9%, a maior votação já obtida por um candidato ao cargo.

É católico, casado com a orientadora familiar Marta Larraechea, uma mulher simpática e brincalhona, com quem tem quatro filhas. Ao se inscrever para as primárias, Frei afirmou que "esta é uma etapa, um caminho, que há alguns meses parecia escuro. Vamos ganhar em dezembro e vamos continuar construindo um país mais humano, mais justo".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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