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05/02/2009

O primeiro ano da era Bruni na França

El País
Inmaculada Ruiz
Em Paris
Carla Bruni já está há um ano calçando sapatos baixos. Desde que se casou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a modelo nascida na Itália tentou se colocar à altura do marido, embora seja impossível diminuir seu 1,76 metro para o 1,68 de seu marido. "Ainda estou aprendendo e me preparando para minha função pública como esposa do presidente", confessa, sempre discreta.

UM ANO DE CARLA BRUNI-SARKOZY NA FRANÇA

Nesse tempo ela falou pouco, talvez para não criar polêmica. Nos últimos dias abriu-se e lembrou, em uma viagem a Roma, onde participou de um programa de televisão: "Continuo sendo italiana e de esquerda". Ela também contou alguns pequenos segredos de sua vida matrimonial. A ex-modelo e cantora afirma que seu marido nunca lhe pediu que mudasse de opinião - "nem eu mudaria" - e que a considera "politicamente mais complexa" do que simplesmente "de esquerda". "Ele acredita que eu vejo a parte humana e ele, a técnica", explica Bruni, para quem ser de esquerda significa "levar em conta as injustiças, mesmo que não as sofra".

Também contou que não se mete em política, o que não impede que à noite, quando ele chega em casa, tenha de ouvir o que ela pensa sobre alguns assuntos. A casa é dela. Porque Bruni impôs como condição para a união tentar manter no dia-a-dia seus hábitos de sempre, entre eles continuar trabalhando no estúdio de gravação que tem em casa.

Mas sem dúvida um dos maiores méritos de Carla Bruni neste ano em que estão juntos foi polir um pouco seu marido, com sua tendência a ostentar jóias de ouro, gravatas vistosas e relógios gigantes. O presidente também deve a sua mulher a ampliação de seu círculo social, aproximando-o inclusive do mundo da cultura, algo insólito para ele. As portas da esquerda burguesa também não se teriam aberto para Sarkozy se não tivesse entrado pelo braço de uma mulher como Carla Bruni.

Enquanto isso, ela desceu da passarela para subir aos palcos de onde ainda não saiu. O presidente da República Francesa conseguiu cortar seus saltos, mas não que ela deixasse a guitarra. Já casada, lançou seu terceiro disco, "Comme si de rien n'était" (Como se não fosse nada), no qual diz ser uma menina com seus "40 anos e 30 amantes". Os lucros do disco foram para diversas causas humanitárias e, para que fossem polpudos, a mulher do presidente francês não hesitou em recorrer a várias televisões europeias, sussurrando suas eloquentes canções (uma delas supostamente dedicada a Sarkozy: "Minha Droga").

  • AP

    "Ainda estou me preparando e aprendendo sobre a função pública de esposa do presidente"

  • AFP

    Bolsa com famosa foto da primeira-dama francesa nua rendeu um processo à marca

Sua faceta de modelo também é revisitada em certas ocasiões, sobretudo quando se trata de suas poses mais atrevidas. Um nu de Bruni foi leiloado no ano passado por quase 58 mil euros. Outro foi utilizado pelas companhias aéreas Virgin para promover seus voos. E um terceiro foi estampado em sacolas cuja empresa terá de indenizar a ex-modelo com 40 mil euros por utilizar sua imagem sem seu consentimento.

O dinheiro, como tudo o que ela ganha desde que está no Palácio do Eliseu, será destinado a causas humanitárias. Essa faceta beneficente de Bruni vai além da atividade habitual das esposas de mandatários e príncipes. Tampouco vem de sua ideologia de esquerda burguesa. Seu apoio à luta contra a Aids tem muito a ver com a recente morte de seu irmão Virgílio.

Só por isso e por usar os modelos de Dior e Chanel como ninguém, a França lhe deve muito. Mas nem todos são dessa opinião. Seu destaque em certas viagens oficiais, para alguns analistas políticos, foi excessivo. A imprensa britânica chegou a intitular, quando o casal visitou a rainha Elizabeth 2ª: "Sarkozy acompanha Carla Bruni em sua viagem a Londres".

Hoje esses mesmos analistas falam e comparam a beleza refinada de Carla com a contundência de Michelle Obama. Porque se Bruni caminha como se estivesse descalça em suas sapatilhas e sussurra ao falar com sua boca fina, quase infantil, Michelle Obama é exatamente o contrário: uma mulher de boca generosa e cadeiras largas, que pisa forte com seus saltos por todos os tapetes do poder. A descendente de escravos negros formada em Harvard que hoje habita a Casa Branca usa modelos elaborados como se fossem de ficar em casa, porque para ela o mundo é sua casa. O reinado de Carla Bruni está no ar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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