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07/02/2009

"Antropófaga" Tarsila do Amaral ganha primeira exposição individual em Madri

El País
Isabel Lafont Em Madri
Uma boa dose de cubismo passada pelo filtro das cores, das formas, da vegetação do Brasil. Essa foi a receita que Tarsila do Amaral (nascida em Capivari, SP, em 1886 e morta em São Paulo em 1973) macerou durante a década de 1920 para se transformar em uma figura chave do modernismo brasileiro. Um processo de assimilação que a Fundação March percorre na primeira exposição monográfica da artista brasileira realizada na Espanha. "O que está em jogo nesta exposição é se uma cultura come a outra. Em um romance 'noir', Tarsila seria uma espécie de agente dupla, que vai a Paris, assimila e volta ao Brasil, e extrai o melhor da modernidade", resumiu na sexta-feira o diretor da fundação, Javier Gomá.

Essa assimilação, que no Brasil acabou se chamando "antropofagia", começou para Tarsila do Amaral em suas viagens a Paris no início dos anos 1920, onde se impregnou do cubismo nos ateliês de Léger, Gleizes e Lhote. O cubismo, segundo afirmou a artista em 1923, deveria ser "o serviço militar" do artista moderno. Crucial em sua carreira foi conhecer Oswald de Andrade, poeta, ensaísta e dramaturgo, autor, em 1924, do manifesto do grupo Pau Brasil, que adotou essa árvore como símbolo da nova poesia brasileira e propunha uma estética primitivista, o vínculo com a cultura tradicional brasileira.

"A poesia existe nos fatos. Os casebres açafrão e ocre nos verdes da favela sob o azul cabralino são fatos estéticos", começa o citado manifesto. Com esse mesmo espírito, Tarsila pintou ainda em Paris "A Negra", uma de suas obras fundamentais, inspirando-se em uma antiga criada de sua infância. "Depois voltou a São Paulo e, querendo ser uma artista brasileira, pintava como Léger, mas as palmeiras se infiltravam em seus quadros", explicou na sexta-feira Juan Manuel Bonet, curador convidado da exposição.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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