UOL Notícias Internacional
 

07/02/2009

Likud e os partidos religiosos e xenófobos ganham força em Israel a três dias das eleições

El País
Juan Miguel Muñoz Em Jerusalém
O lendário ministro israelense das Relações Exteriores Abba Eban dizia que nos países democráticos os resultados eleitorais são conhecidos depois das eleições. E o diplomata Herzl Inbar, ex-embaixador na Espanha, acrescenta: "E em Israel nem depois se conhecem". As eleições que serão realizadas na terça-feira (dia 10) encontrarão um Parlamento muito fragmentado, que possibilitará várias colisões. Mas uma nota distintiva da Câmara se observa certeira: o eleitorado se decanta em massa para a direita, e isso transforma o líder do Likud, Benjamin Netanyahu, no mais apto a formar um governo que abordará uma agenda cheia de desafios.

A campanha eleitoral insípida esquenta nos últimos dias só porque a diferença entre o Likud e o Kadima, partido da chefe da diplomacia, Tzipi Livni, míngua ao compasso do sucesso de Yisrael Beiteinu, o partido xenófobo de Avigdor Lieberman, que se aproxima dos 20 assentos nas pesquisas. Os prognósticos situam o Likud à frente, mas a vantagem de meia dúzia de assentos que desfrutava há apenas uma semana se reduz agora para dois ou três. E o voto dos 20% de indecisos - muita gente tapa o nariz quando lhes perguntam em quem vão votar - ainda pode provocar surpresas.

As pesquisas indicam que nenhum dos grupos conseguirá mais de 30 lugares em um legislativo de 120. Sendo assim, o principal não será que candidato colherá mais deputados, mas que bloco obterá mais apoio: o que defende a continuação das negociações com a Autoridade Palestina - um assunto fantasma durante a campanha - ou o que rejeita essa via. O Likud e o Yisrael Beiteinu, os partidos que agrupam os colonos e os ultraortodoxos do Shas e da Unidade pela Torá e o Judaísmo, formam o primeiro grupo. Superam os 65 lugares. O Kadima, os trabalhistas e o esquerdista Meretz e os partidos árabes, o segundo. Apenas beiram os 55 lugares.

Esse é o obstáculo que se prevê insondável para Livni. Mesmo que seu partido seja o mais votado e o presidente Shimon Peres a encarregue de formar governo, é impensável que Livni busque o apoio dos partidos árabes. Por isso evita qualquer ataque a Lieberman, do qual poderá necessitar muito. Sem ele o Kadima não governará. E mesmo contando com seu apoio a aliança seria de extrema fragilidade. Netanyahu está consciente da situação. E, apesar de Lieberman lhe roubar eleitores a marcha forçada, o aspirante do Likud o trata com grande respeito para aglutinar uma maioria de deputados que bloqueie qualquer iniciativa de Livni.

Os analistas não lembram de campanha mais anódina, com menor realização de comícios, dirigida em alguns casos através da Internet, com numerosos atos em bares e dominada pela guerra de Gaza, que anulou qualquer outro assunto econômico e social. Inclusive os abundantes casos de corrupção são notas de rodapé. A palavra-chave é "bitajón", ("segurança" em hebraico). E a esse respeito todos batalham para cultivar a imagem de duro. Livni se postula como a promotora do ataque a Gaza e adverte que se chegar à chefia do Executivo responderá imediata e contundentemente a qualquer ataque de Gaza. O líder trabalhista Ehud Barak se define como um grande especialista em termos de defesa. Netanyahu e Lieberman podem prescindir de apresentar credenciais. Suas propostas para submeter sem cerimônia o inimigo palestino e árabe e desbaratar o programa nuclear do Irã são amplamente conhecidas.

Em todo caso, seja quem for o sucessor de Ehud Barak, suas ameaças de campanha serão temperadas. Em Washington, Barack Obama não parece tão disposto quanto George Bush a dar carta branca a Israel.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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