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12/02/2009

Chávez se esforça para conseguir o "sim" para sua reeleição indefinida

El País
Maye Primera
Em Caracas
"Se fosse por mim, eu lhes diria: votem não", afirmou Hugo Chávez durante um ato de campanha a favor da emenda constitucional que ele mesmo propôs para estabelecer sua reeleição indefinida à presidência, e que os venezuelanos aprovarão ou não no referendo convocado para este domingo, 15 de fevereiro. Se fosse por ele, disse também, quando terminar seu segundo período presidencial consecutivo de seis anos, em 2012, iria para o campo descansar. Mas, segundo o presidente venezuelano, de sua permanência no poder até 2049 - se a saúde permitir - depende o futuro da revolução. Em função desse interesse maior, que denominou de "o fenômeno Chávez", ele e todo o aparato de seu estado socialista se entregaram de corpo, alma e financiamento à campanha pelo "sim" à emenda, que termina nesta quinta-feira com um grande ato popular.

"O comandante Chávez constrói a estação Tamanaco... uma razão a mais para voltar sim. Com Chávez, o povo é o governo", diz um dos cartazes que promove a construção de uma nova linha de metrô em Caracas. Embaixo da terra, nas estações já construídas, pelos alto-falantes soa constantemente a canção mais popular da campanha, em ritmo de "salsa": "Uh, Ah / Chávez con el pueblo sí va / Uh, Ah". A estatal Petróleos de Venezuela, os ministérios, os institutos autônomos, a recém-estatizada Electricidad de Caracas dançam no mesmo ritmo.

A campanha deu bons resultados para o chavismo. Embora a reeleição indefinida tenha sido uma das modificações que gerou mais rejeição entre os eleitores quando Chávez tentou reformar a Constituição, em 2007, as pesquisas divulgadas na Venezuela mostram que a opção do "sim" foi ganhando terreno contra o "não". Os últimos estudos divulgados pelo Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD) e a firma Datanálisis atribuem ao "sim" entre 51% e 52% de preferência, enquanto o "não" teria o apoio de 48%; com uma margem de erro entre 2,5% e 3% em suas pesquisas, nenhuma das consultorias se atreve a prever um firme vencedor.

Tudo parece indicar que no domingo qualquer das opções que ganhar obterá a vitória por uma diferença mínima, como ocorreu no referendo sobre a reforma constitucional em dezembro de 2007. Naquela ocasião, quando Chávez propôs pela primeira vez sua reeleição indefinida, a reforma foi derrotada por 51% dos votos contra 49%. Chávez atribuiu os maus resultados à desmobilização de seus seguidores. Em 2006 mais de 7 milhões de eleitores votaram nele em sua reeleição presidencial, mas em 2007 só 4 milhões apoiaram sua reforma. Para evitar que se repita esse cenário, o presidente criou patrulhas que se encarregarão de levar os eleitores aos centros de votação. Ele mesmo faz ligações telefônicas para seus potenciais eleitores: "Desta vez temos de ganhar por nocaute".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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