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19/02/2009

O desafio de substituir Lula

El País
Javier Lafuente Em Madri
"Queria que o Brasil, depois de mim, fosse governado por uma mulher e já existe a pessoa indicada: é Dilma Roussef". O apoio explícito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu, no passado mês de novembro, à sua ministra-chefe da Casa Civil, embora seja necessário, é algo que pode "afetar muitíssimo" a candidatura da ex-guerrilheira como futura presidente do Brasil, segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro. "É uma boa candidata, tem boa capacidade de administração, mas, sobretudo, tem o obstáculo maior que alguém que opta pela presidência pode ter: o apoio de Lula", assegura Genro.

Tarso desmente jornal

O ministro Tarso Genro desmentiu trecho da entrevista publicada pelo jornal "El País" nesta quinta-feira. Em nota, o ministro negou que tivesse afirmado que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fosse um obstáculo para a sua candidatura.

Parece uma incongruência que ter o respaldo do líder mais carismático da América Latina seja contraproducente. Mas a sombra do mandatário pode pesar muito sobre ela. O titular da pasta da Justiça explica que, embora até agora "(a imagem de Lula) influenciou positivamente", é uma árdua tarefa suceder a alguém cuja imagem e influência é muito forte. Mas Dilma está capacitada para isso? "É uma boa candidata", se limita a repetir.

O ministro, que durante muito tempo foi considerado um possível sucessor do atual chefe de Estado, reconhece que, "como qualquer político que tenha certo amor por seu país", teve algum dia a aspiração de ser presidente. Não afirma, no entanto, que a preferência de Lula lhe desagrada. Genro, muito diplomático e comedido em seus comentários, já previa isso.

"Eu sei que estas questões não se resolvem por meio das relações pessoais. Nos últimos 15 meses eu pude observar que o presidente Lula buscava uma candidatura que não caracterizasse uma polarização interna dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). E eu, e mais quatro ou cinco companheiros, tivemos uma posição muito forte na direção anterior do partido".

Célebre por criar, como prefeito de Porto Alegre, o orçamento participativo; histórico líder do PT, partido do qual foi presidente, Genro é um peso pesado dentro do partido de Lula e já dirigiu quatro ministérios desde que Lula chegou à presidência da República, em 2003. Suas opiniões não são, portanto, insignificantes para a opinião pública brasileira. Tanto que Genro, que se reuniu nesta quarta-feira (18) em Madri com seu homólogo espanhol, Mariano Fernández Bermejo, muda o seu tom afável por um mais sério quando se refere às futuras eleições presidenciais.

"É preciso ter respeito por nossos rivais; têm um candidato forte, José Serra (atual governador do Estado de São Paulo), e é um dos pesos pesados do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que representa o que sempre foi considerado como o setor de centro-esquerda do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso". Um Executivo que, ele aproveita para sublinhar, "teve um mérito de dar solidez à democracia, mas que no campo das políticas públicas não teve êxito".

Sobre o futuro do Brasil sem Lula, Tarso Genro diz acreditar que a democracia em seu país está "tão consolidada que, dificilmente, uma pessoa que não esteja comprometida com a transparência, com a luta contra a corrupção, pode suportar a Presidência da República."

Leia a íntegra da entrevista de Tarso Genro no site do jornal El País (em espanhol).

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