UOL Notícias Internacional
 

20/02/2009

"A Rússia está extremamente frágil", diz presidente da Geórgia

El País
J. M. Martí Font Em Barcelona
Conforme se agrava a crise econômica na Rússia, diminuem as "provocações" na linha de cessar-fogo em torno da região separatista da Ossétia do Sul, afirma o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. De fato, na quarta-feira (dia 18) Moscou e Tbilisi acordaram um mecanismo para evitar incidentes na zona controlada pelas tropas da UE.

Saakashvili (nascido em Tbilisi em 1967) participou na quarta-feira do debate "Às portas da Europa" no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona; reuniu-se com o presidente do governo provincial, José Montilla; com empresários e o presidente do Futebol Clube Barcelona, Joan Laporta.

El País - Que sequelas a Geórgia sofre da guerra do verão passado?
Mikhail Saakashvili -
A Rússia continua ocupando a Abcásia e a Ossétia do Sul, mas isso não teve um impacto sobre nosso desenvolvimento. Segundo o Fundo Monetário Internacional, somos um dos poucos países que continuarão crescendo este ano; 2% ou 3%. Abaixo dos 14% de 2008, mas mais que a Rússia, que está em recessão.

EP - O cessar-fogo se mantém?
Saakashvili -
Sim, devido à presença europeia. Além disso, conforme a Rússia foi entrando em problemas econômicos as provocações foram diminuindo. Há uma relação direta.

EP - A Geórgia está reconstruindo seu exército?
Saakashvili -
A Geórgia não pensa em construir um [novo] exército, apenas reparar o que foi destruído durante a guerra; conservar nossas capacidades. Espero que possamos estabelecer programas com a Otan.

EP - Quando será o ingresso de seu país na Otan?
Saakashvili -
Acabará ocorrendo, mas será um processo lento e longo, que passará por uma integração da região na Europa.

EP - Como a Geórgia substituiu o vital mercado russo?
Saakashvili -
Já o perdemos em 2006. Moscou cortou nossa eletricidade em 2005 e dois anos depois começamos a exportar energia para a Rússia, em vez de importá-la. Conseguimos uma relativa independência energética e estamos preparados para enfrentar qualquer chantagem. Em 2006 a Rússia nos declarou embargo econômico por razões de saúde e crescemos 10%. Serviu para melhorarmos nossos produtos e buscar novos mercados. Por exemplo, o vinho que hoje exportamos para a Escandinávia é de melhor qualidade do que o que vendíamos para a Rússia.

EP - O senhor tomaria hoje as mesmas decisões que tomou neste verão?
Saakashvili -
Creio que não tomamos nenhuma decisão. Um grande país sempre pode atacar um pequeno. A única questão é como o vende. E a verdade é que o mundo quase acabou acreditando que a Geórgia invadiu a Rússia, o que é uma loucura. Foi uma escalada ao longo de vários anos que logicamente acabou com a invasão. A guerra chegou quando o petróleo estava a US$ 140 o barril e a Bolsa de Moscou em picos históricos.

EP - A situação mudou?
Saakashvili -
Sim, a Rússia hoje está extremamente frágil. Sua economia está se desintegrando, não só devido à queda do petróleo, mas a um problema sistêmico de falta de investimentos.

EP - Qual é o futuro da região do Cáucaso?
Saakashvili -
Passa por uma aproximação da Europa e eventualmente por uma situação que também integre a Rússia. A outra alternativa, como alguns afirmam na Europa, é uma nova versão da guerra fria que conceda à Rússia uma área de influência. Mas isto não corresponde à realidade. A Rússia tem 140 milhões de habitantes e os países que deveriam estar sob sua influência somam mais de 150 milhões.

EP - O senhor contempla alguma mudança com o novo governo nos EUA?
Saakashvili -
Os EUA entendem muito bem quais são as prioridades. É verdade que Nicolas Sarkozy teve um papel no cessar-fogo, mas sem a intervenção americana os russos não teriam parado. Houve mensagens muito poderosas da Casa Branca e movimentações da Sexta Frota.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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