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21/02/2009

Crise econômica sufoca a pompa do Oscar

El País
Gregorio Belinchón Enviado especial a Los Angeles
O negro presente e os não menos negros presságios sobre a crise que não para têm sua metáfora perfeita na fachada do Teatro Kodak: lonas pretas escondem a instalação do mágico tapete vermelho dos olhos de centenas de turistas que pululam nestes dias pelo Hollywood Boulevard.

Só no acesso ao Kodak se pode observar um pouco da obra, que na realidade não difere em nada de edições anteriores: pérgula contra a chuva, estatuetas gigantes, operários puxando cabos e montando as arquibancadas para a imprensa e o público... Mas o segredo é palpável em cada um dos atos anteriores aos Oscars da Academia. E mais ainda tudo o que envolve o palco do Kodak. A culpa é da crise e da queda de audiência na televisão...

A catastrófica conjuntura econômica também atingiu as festas, reduzidas à mínima expressão. Nem a Paramount nem a Warner realizarão suas tradicionais homenagens a seus candidatos. A Sony Classics transformou sua comemoração em um jantar no restaurante Celloni's. Não haverá bolsa com presentes de cortesia em quase nenhum dos saraus hollywoodianos. Agências de representantes como a William Morris decidiram cancelar suas recepções, enquanto outros as transferiram de clubes e restaurantes para a casa dos chefes (como CAA ou Endeavour). Ninguém quer aparentar demais quando os dados econômicos oferecem poucas alegrias à classe média dos EUA.

Também serão os primeiros Oscars de Barack Obama como presidente, mas nestes dias poucas pessoas se lembram dele. Poucas exceto um tio Sam afro-americano que arrasta uma silhueta de papelão de Obama em tamanho natural e se deixa fotografar por um punhado de dólares na porta do Teatro Chinês de Grauman. Mais um que se soma à fauna habitual de Marilyns, Batmans, King Kongs e Capitães Sparrow.

Desde que começaram os preparativos para a cerimônia de domingo, a Academia apostou no segredo como arma contra a brutal queda de telespectadores que a festa de gala sofreu nos últimos anos. Concretamente, só 31 milhões de americanos viram a última edição, e isso preocupa Sid Ganis, o presidente da Academia, que diversas vezes afirmou que esta edição será diferente, tudo para defender os € 40 milhões que a rede terá ABC paga à Academia pela transmissão da cerimônia.

Mas os sinais não parecem muito positivos. Desde a semana passada pode-se ver na televisão e nos cinemas um anúncio da festa dirigido por John Singleton que deixa uma sensação de videogame de terceira. O apresentador da cerimônia, Hugh Jackman, aparece em um plano breve, e isso que o ator australiano é uma das maiores apostas do próximo domingo. Jackman já garantiu que não fará piadas, que sua linha não é a comédia, mas sim cantar e dançar, e por aí podem seguir as coisas. O protagonista de "Austrália" tem um prêmio Emmy da televisão por seu trabalho como anfitrião da festa de gala dos Tony, os prêmios do mundo do teatro; e sabe o que é triunfar em um musical na Broadway.

Do pouco que confirmaram Laurence Mark e Bill Condon (diretor de "Deuses e Monstros" e "Dreamgirls"), os produtores da festa do Oscar, é que esta não passará de três horas de duração. Não haverá discurso cômico inicial. Fundiram-se a interpretação das três canções candidatas ao Oscar, e por isso Peter Gabriel, o autor de "Down to Earth", do filme "Wall-E", se recusou a atuar, mas estará na plateia. Talvez esse pot-pourri seja entoado por Jackman. Também haverá um vídeo realizado por Bennet Miller (Capote) e o cenário foi desenhado por David Rockwell, o arquiteto responsável pelo Teatro Kodak, com uma linha marcada pelo kitsch.

Por outro lado, nota-se que o gosto dos espectadores se afasta cada vez mais do dos acadêmicos. Janeiro, tradicionalmente um mês forte para os filmes candidatos, representou seu choque final, e a bilheteria foi comandada pela comédia "Paul Blart: Mall Cop", de "Vingança" e "Gran Torino". Entre os cinco candidatos à estatueta de melhor filme, só "O Curioso Caso de Benjamim Button" superou os US$ 100 milhões de arrecadação nos EUA. E isso que a venda de ingressos em 2009 bateu todos os recordes.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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