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21/02/2009

Netanyahu: a volta de um falcão neoliberal ao poder

El País
J. M. Muñoz Em Jerusalém
Ambicioso, astuto e paciente, Benjamim Netanyahu (nascido em Tel Aviv em 1949) soube esperar seu momento. Quase uma década depois de ser removido do poder por Ehud Barak, o chefe do Likud enfrenta a tarefa de formar governo em um panorama político endiabrado. Experiência ele tem de sobra, mas agora será mais complicado atrair vários de seus rivais políticos para que se submetam a sua liderança. Sua palavra provoca desconfiança.

Nascido em uma família de origem lituana, seus pais emigraram para a Filadélfia (EUA) quando Netanyahu - Bibi, como é chamado por todo israelense - tinha 14 anos. Como seus dois irmãos - um deles, Jonatan, morto em 1976 na operação de resgate de um avião israelense em Entebbe (Uganda) -, serviu em uma unidade de elite do exército (Sayeret Matkal) e alcançou o posto de capitão, com o qual deixou as forças armadas em 1972. Preferiu a universidade ao uniforme. Estudou arquitetura no prestigioso Instituto de Tecnologia de Massachusetts e ciências políticas em Harvard. Pouco depois voltou a Israel para empreender uma carreira política fulgurante.

Netanyahu foi nomeado em 1982 o número 2 da embaixada israelense nos EUA e entre 1984 e 1988 se encarregou da representação de seu país na ONU. Depois serviu no governo de Isaac Shamir e em 1996 se transformou no primeiro-ministro mais jovem da história de Israel. Como chefe do Executivo, poucos meses depois do assassinato de Isaac Rabin por um colono judeu, se dedicou à tarefa de abortar o processo de paz iniciado em Oslo.

Autorizou a escavação - apoiado pelo então prefeito de Jerusalém, Ehud Olmert - de um túnel na cidade velha de Jerusalém e construiu o assentamento de Har Homá nas imediações de Belém. Dezenas de palestinos morreram nas revoltas antes que Netanyahu sucumbisse à pressão americana e fosse obrigado a apertar a mão de seu odiado Yasser Arafat. Cedeu em 1998 à Autoridade Palestina boa parte da cidade de Hebron. Daquela época conservam péssimas lembranças vários mediadores americanos, que chamam Netanyahu de "mentiroso". Essas insignificantes concessões a Arafat e alguns escândalos de corrupção acabaram em 1999 com sua primeira experiência como governante. Mas nunca desapareceu da primeira fila.

Neoliberal até o tutano, todos os dias se vangloria das reformas econômicas que promoveu em 2002 como ministro da Fazenda do governo de Ariel Sharon, contra o qual se rebelou em 2005. O ex-general, hoje em coma em um hospital de Tel Aviv, abandonou seu lar político e fundou o Kadima. Arrastou vários políticos convencidos de que a evacuação dos colonos de Gaza era a decisão correta. Netanyahu permaneceu à frente do Likud. Sofreu uma tremenda derrota nas eleições de março de 2006 - conseguiu apenas 12 deputados - e esperou sua vez.

Casado três vezes e pai de três filhos, "Netanyahu é um homem da 'dolce vita'. Gosta de charutos caros e uísque de qualidade. É muito parecido com Olmert. Não há mais líderes que se empenham. Pertencem a uma nova geração que veste ternos de corte francês e estão desligados do povo, que dependem dos industriais, banqueiros e investidores que têm seus interesses no estrangeiro", comenta o professor de história e ativista de esquerda Meir Margalit. Nada a ver com os costumes espartanos dos antigos chefes do Likud que Netanyahu admira. Entre eles, Menahem Begin, que aparecia em público de gravata, mas muitas vezes com ternos puídos. Como David Ben Gurion ou o próprio Begin, Bibi sabe onde se encontra seu filão de votos.

Um passeio por Musrara, bairro sefardita de Jerusalém, não deixa margem para dúvidas. Netanyahu é seu líder. Embora já muito reabilitado, Musrara, como tantos outros bairros povoados por judeus sefarditas, é um bastião do Likud. Mas por que votam em Netanyahu os mais desfavorecidos, os mais afetados por suas políticas neoliberais? "Puro ódio ao trabalhismo e aos asquenazes. Têm impregnados os maus-tratos que o establishment trabalhista dispensou a seus pais, judeus procedentes de países árabes e muçulmanos. Não analisam as propostas socioeconômicas dos trabalhistas. Votam por rejeição a eles. A conta histórica não está saldada", explica Margalit.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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