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21/02/2009

Volta de Netanyahu é mais um golpe para o processo de paz

El País
J. M. Muñoz Em Jerusalém
Benjamim Netanyahu é tudo menos ingênuo. Na sexta-feira, na residência presidencial e à boca pequena, ele mencionou o processo de paz assim que recebeu o encargo de formar governo. Porque o líder do Likud não ignora que os olhos da Casa Branca estão postos nele.

Mas, como tantos israelenses, Netanyahu não acredita nesse processo. Tampouco com o Kadima - o partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni - se avançou um centímetro. Sem ir mais longe, esta semana foi aprovado o confisco de centenas de hectares de terras palestinas na Cisjordânia para ampliar uma colônia ao sul de Jerusalém. A previsível ascensão de Netanyahu ao poder só fará entorpecê-lo ainda mais. Principalmente se seus parceiros de coalizão são o Yisrael Beiteinu, capitaneado pelo extremista Avigdor Lieberman, e os grupos que representam os colonos e os ultraortodoxos.

Não. Assim se resume a posição política de Netanyahu em relação a qualquer concessão à Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas, que em todo caso também foi humilhado pelo primeiro-ministro Olmert. Não à divisão de Jerusalém e não à evacuação de assentamentos. Essa é a doutrina que Netanyahu pregou durante a campanha eleitoral. Afirma que somente promoverá o desenvolvimento econômico da Cisjordânia. Caso cumpra suas promessas, Gaza pode esperar tempos fúnebres. "Vamos derrubar o governo do Hamas", advertiu.

Como já fizeram George Bush e seu secretário de Estado, James Baker, no início da década de 1990 - congelaram empréstimos de US$ 10 bilhões ao Executivo do intransigente Isaac Shamir -, só a pressão econômica e diplomática de Washington poderá torcer o braço de um governo Netanyahu.

Será preciso esperar, mas o governo de Barack Obama não parece disposto a dilapidar sete anos antes de pôr mãos à obra. "Melhorar a economia palestina sem esforços diplomáticos não terá êxito", avisou, na quinta-feira (19), o enviado da Casa Branca ao Oriente Médio, George Mitchell.

Três quartos do mesmo acontece em relação à Síria. "Gamla não cairá de novo", afirmou Netanyahu taxativo em plena campanha, enquanto plantava uma árvore para comemorar uma festividade judaica. Gamla é uma colônia vinícola na meseta do Golã, conquistada à Síria em 1967. Também é o lugar em que os judeus foram derrotados por tropas romanas 2 mil anos atrás. O chefe do Likud não quer nem ouvir falar de cessões territoriais.

Mas talvez Obama tenha algo a dizer. Porque convém lembrar que os dirigentes israelenses também clamavam que o Sinai egípcio nunca seria devolvido, e foi exatamente um governo do Likud - o de Menahem Begin, pressionado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, em 1979 - que o devolveu até o último centímetro ao presidente Anuar Sadat.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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