UOL Notícias Internacional
 

26/02/2009

Três mulheres no comando militar argentino

El País
Soledad Gallego-Díaz
Em Buenos Aires
A ministra da Defesa, Nilda Garré, encabeça a equipe feminina da reforma



O Ministério da Defesa argentino ocupa um impressionante edifício construído originalmente pelos militares para deixar claro, a uma simples vista, seu poderio e sua capacidade econômica. O formidável aspecto exterior não combina muito com o interior, um tanto deteriorado e carente de manutenção, como a maioria dos edifícios oficiais portenhos. No andar nobre, o 11º, dois soldados de artilharia em traje de gala montam guarda diante de uma porta. É o gabinete da ministra da Defesa, Nilda Garré, 62 anos, advogada, uma mulher com muita experiência política que desenvolveu toda a sua carreira dentro do peronismo.

O caso de Garré não é novidade na América Latina, onde curiosamente muitas mulheres se encarregaram da pasta da Defesa. A mais conhecida é certamente a atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, mas também houve uma ministra da Defesa colombiana, Marta Lucía Ramírez, e uma uruguaia, Azucena Berruri, entre outras. O Ministério da Defesa argentino tem fama, além disso, já há alguns anos, de contar com um alto número de mulheres em cargos executivos. O titular anterior, José Pampuro, formou uma equipe em que seis dos nove cargos de confiança estavam nas mãos de mulheres.

Garré manteve em parte essa linha e conta em seu organograma com algumas valiosas colaboradoras. Duas das mais conhecidas são a subsecretária de Formação, Sabina Frederic, e a diretora nacional de Direitos Humanos e Direito Humanitário, Ileana Arduino. Frederic, uma antropóloga e doutora pela Universidade de Utrecht, na Holanda, tem aparência extremamente juvenil, apesar dos declarados 43 anos. Ela é responsável pelos novos planos de educação nas diferentes escolas militares e reconhece que é um trabalho apaixonante e complexo. Na atualidade tem em andamento um novo projeto para conseguir que os instrutores militares, que são quem realmente passa o dia todo com os cadetes e têm mais influência sobre eles, assistam a um curso que trate do "significado de ser um militar cidadão", explica.

Frederic, empenhada em combater o abuso de autoridade desde a formação, reconhece que existe uma forte desconfiança recíproca entre o mundo civil e o militar, o que se notou inclusive quando se tentou levar professores civis universitários às escolas militares e organizar a passagem dos cadetes pelas sedes dessas universidades.

Ela reconhece que ainda existem muitos militares aposentados entre os docentes das escolas militares ("Não se trata de suprimir a todos") e que inclusive ocorreram dois casos mais ou menos recentes de professores indiciados por participação na ditadura, mas ainda assim se sente esperançosa e muito confiante no resultado da nova formação dos militares argentinos.

A mesma confiança tem Ileana Arduino, uma advogada de apenas 31 anos que se ocupa dos direitos humanos no Ministério da Defesa. Sentada em seu gabinete simples, chama o coronel Lozano para conversar sobre a nova legislação militar. Os dois dão mostras de grande cumplicidade e de uma mesma confiança.

"É uma transformação muito complexa, mas é extremamente importante para nosso país", explica Arduino. Ela admite que a imagem dos militares argentinos pode ser muito ruim, mas confia na possibilidade de melhorá-la, ao mesmo tempo que melhore sua regulamentação e sua atividade. "Hoje há militares argentinos em missões de paz da ONU", lembra.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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