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28/02/2009

O último "combatente inimigo"

El País
Yolanda Monge Em Washington
Depois de passar mais de cinco anos e meio confinado em uma cela de um navio militar na Carolina do Sul, Ali Al Marri, suspeito de pertencer à Al Qaeda, soube na sexta-feira das acusações que enfrenta: conspiração e apoio material ao terrorismo. O caso de Al Marri está desde sexta-feira nas mãos da justiça civil, e desde sexta-feira esse residente americano originário do Catar deixou de ser o último "combatente inimigo" - antes existiram outros dois - que estava preso dentro dos EUA.

A decisão do governo Barack Obama de transferir o caso de Al Marri para o Departamento de Justiça representa uma virada radical na política adotada pelo governo George W. Bush, que considerava que devido a seu status de "combatente inimigo" o detido poderia ficar por tempo indefinido preso sem acusações.

A resolução também permite que a Casa Branca não tenha de se pronunciar abertamente sobre se um presidente tem autoridade ou não para deter residentes legais no país de maneira indefinida e sem julgamento. O Departamento de Justiça deveria declarar em 23 de março diante da Suprema Corte se pretendia continuar com a política iniciada por Bush de detenção sem acusações pelo tempo que se considerasse necessário em nome da segurança nacional, como foi o caso de Al Marri. Agora, ao transferir Al Marri para a Justiça comum, o governo responde com fatos e parece mostrar o caminho da solução para a maioria dos presos de Guantánamo.

Al Marri foi detido em Peoria (Illinois) em dezembro de 2001, depois dos atentados de 11 de Setembro, e transferido em 2003 para um navio militar ancorado no porto de Charleston (Carolina do Sul). Com visto de estudante para realizar um mestrado na Universidade de Bradley, Al Marri chegou aos EUA naquele mês de setembro com sua mulher e seus cinco filhos. Depois de sua detenção, o governo Bush disse ter nas mãos um "agente adormecido" da Al Qaeda.

Sem acusações nem acesso a um advogado, a equipe legal que se interessou por seu caso afirma que durante o tempo em que Al Marri esteve confinado em um navio militar foi submetido a tratamentos humilhantes, como privação do sono, obrigação a adotar posturas posições dolorosas a e ameaças violentas. Durante os mais de cinco anos e meio em que esteve afastado do mundo, somente em algumas ocasiões pôde se comunicar com sua família.

As acusações que agora tem de enfrentar ele soube na sexta-feira por um grande júri de Peoria, acusações que poderão lhe custar até 15 anos de prisão cada uma.

O julgamento de Al Marri por um tribunal civil poderia ser seguido pelos quase 250 presos detidos na base militar americana de Guantánamo, em Cuba, cujo fechamento foi anunciado por Obama assim que tomou posse na presidência.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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