UOL Notícias Internacional
 

04/03/2009

Raúl Castro se rodeia de sua equipe, mais castrense que castrista

El País
Mauricio Vicent Em Havana
Durante duas décadas o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, e o secretário do comitê executivo do Conselho de Ministros, Carlos Lage, foram pesos-pesados do governo Fidel Castro. Por isso, ninguém teria dito na segunda-feira que Raúl Castro pudesse prescindir deles. Menos ainda que o substituto de Lage no cargo seria o general José Amado Ricardo Guerra; mais um militar em um Executivo que já acrescentou a sua cúpula outros dois membros das forças armadas em 19 de fevereiro passado, ambos com o cargo de vice-presidentes de diferentes pastas.

Foram uma dezena os afastados, e o gesto de Raúl Castro surpreendeu dentro e fora de Cuba. Mais dentro que fora. Nos 19 meses em que exerce a presidência interina e em um ano como presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Raúl tinha trabalhado com a equipe de seu irmão e apenas haviam aflorado suas figuras de confiança.

Até hoje, Carlos Lage continua sendo membro do Birô Político do Partido Comunista e continuará ocupando o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado. Por outro lado, nada se disse sobre Pérez Roque, nem o cargo que passará a ocupar nem qualquer elogio ao seu trabalho. Sobre nenhum dos cerca de dez destituídos se explicam as causas das demissões nem há palavras bonitas.

Analistas consultados por este jornal afirmam que o mais notório é que Raúl Castro pela primeira vez dá a conhecer sua equipe verdadeira, e este é um núcleo "compacto", com figuras emergentes e muito ligadas ao meio militar, seja como oficiais na ativa ou por estarem muito próximos ao entorno de Raúl. De fato, os militares já ocupam postos-chaves nas empresas, corporações turísticas e indústrias dos mais diversos tipos.

As tarefas que o presidente cubano tem pela frente exigem uma equipe "coesa", não se cansam de repetir seus homens de confiança. À frente está a crise galopante interna e externa, a dificuldade de unir as diversas correntes dentro do aparelho do partido, algumas que reclamam mudanças urgentes para que o fator Obama não as pegue de surpresa e outras que se deixam levar pela maré e a inércia do imobilismo, e também a necessidade de esclarecer um panorama político em que o binômio Fidel-Raúl deixa muitos desconcertados.

Há um fato óbvio. As mudanças realizadas na segunda-feira por Raúl, independentemente de se Lage ou Pérez Roque reaparecerão depois ocupando cargos relevantes, vão todas na linha de se consolidar o "raulismo" e as figuras com as quais será preciso contar no futuro. Otto Rivero, um dos vice-presidentes defenestrados desta vez, era há tempo um cadáver político. Ocupava-se da Batalha de Ideias, concebida por Fidel Castro no início de 2000, época da luta pela devolução do menino balseiro Elián González dos EUA. O programa da Batalha de Ideias quase caiu no esquecimento com a doença do "comandante", e agora as tarefas do "liberado" Rivero passam ao vice-presidente do governo, o histórico Ramiro Valdés, "que ficará encarregado de sua coordenação e controle", levando em conta "que concluiu a transferência dos programas que atendia aos respectivos órgãos investidores.

No que se pode ver como golpe final nesses programas fidelistas, que eram executados através de um governo paralelo com jovens como Otto Rivero, Hassan Pérez e outros, o governo de Raúl Castro deixa claro que essa etapa de improvisação terminou. O substituto de Pérez Roque pelo até agora vice-chanceler Bruno Rodríguez, com experiência na ONU, alguns interpretam como um movimento diante de um possível diálogo com Washington, mas essa interpretação não se sustenta porque Roque tinha excelentes relações na Europa e em geral em todo o âmbito internacional.

A criação de um superministério que engloba o comércio exterior e o investimento e colaboração estrangeiros, a cargo de Rodrigo Malmierca, vem reforçar o projeto de racionalizar a estrutura do Estado. A chave Obama também pode ter contado na mudança do governo cubano, embora menos do que interpretaram analistas e diplomatas estrangeiros.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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