UOL Notícias Internacional
 

06/03/2009

China declara guerra ao desemprego

El País
José Reinoso
Em Pequim
Pequim afirma que enfrenta um desafio "sem precedentes". O crescimento previsto para 2009 é de 8%


Sob um céu azul radiante depois da garoa caída na noite anterior - talvez de maneira artificial -, com as bandeiras vermelhas ondulando sobre os edifícios da Praça Tiananmen e a polícia detendo os manifestantes que tentavam protestar, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, abriu na quinta-feira a sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN) com uma mensagem agridoce: o país enfrenta "dificuldades e desafios sem precedentes" devido à crise mundial, mas será capaz de crescer ao redor de 8% este ano.

Para conseguir isso, implementou um plano de estímulo à economia e criação de empregos - anunciado em novembro passado - no valor de 4 bilhões de iuanes (cerca de 466 bilhões de euros) até 2010, cujos detalhes explicou: mais gastos públicos, investimentos vultosos e mais dinheiro para a construção de uma rede de benefícios sociais que anime a população a consumir.

"A crise financeira global continua se ampliando e agravando. A demanda continua diminuindo nos mercados internacionais. A tendência para a deflação global é óbvia e o protecionismo está ressurgindo", disse Wen em seu discurso sobre a situação do país no anfiteatro do Grande Palácio do Povo. Depois dele, escutaram-se os membros do Birô Político; na frente, participavam os quase 3 mil deputados vindos de todo o país para, basicamente, referendar as decisões adotadas previamente pelos líderes do Partido Comunista Chinês (PCCh). A assembléia vai durar nove dias.

Desde que eclodiu a crise, em setembro passado, milhares de empresas exportadoras fecharam na China devido à queda da demanda estrangeira. Em consequência, disparou o desemprego, milhões de trabalhadores foram obrigados a voltar a suas aldeias e aumentou o risco de protestos contra um governo de partido único, que tentou se legitimar no poder graças ao extraordinário desenvolvimento que o país experimentou desde que lançou as reformas há três décadas.

"Na China, um país em desenvolvimento com 1,3 bilhão de habitantes, manter um certo ritmo de crescimento da economia é essencial para estender o emprego urbano e rural, aumentar a renda das pessoas e garantir a estabilidade social", disse Wen. Os economistas estimam que esse crescimento deve ser em torno de 8%. E esse é o objetivo que o primeiro-ministro definiu para este ano; o mesmo que estabeleceu no ano passado nesta data para 2008 e que finalmente foi reduzido em 1 ponto percentual. O Fundo Monetário Internacional calcula, no entanto, que o PIB da terceira economia do mundo crescerá 6,7%.

O desemprego urbano registrado foi de 4,2% no final de 2008. Mas o número do desemprego real é muito superior, já que este valor não inclui os residentes urbanos que não têm trabalho e não se inscreveram nas agências de emprego. Também não considera os emigrantes rurais que trabalham nas cidades e ficaram na rua, nem os desempregados no campo.

Revitalizar a economia chinesa é considerado vital para ajudar o mundo a sair da crise. Alguns economistas crêem que o país asiático poderia começar a sair do buraco já no segundo trimestre deste ano. Outros, porém, pensam que não conseguirá se recuperar enquanto os mercados americano e europeu não o fizerem.

As medidas de revitalização detalhadas por Wen incluem um aumento de 24% nos gastos do governo, o que aumentará o déficit para cerca de 110 bilhões de euros em 2009, o maior dos últimos 60 anos na China. Assim ficará perto de 3% do PIB, quando no ano passado foi de 0,4%, mas ainda está muito abaixo dos 12,3% previstos para este exercício nos EUA. Pequim também aumentará as ajudas aos setores automobilístico e siderúrgico, entre outros.

Mas um dos objetivos prioritários será, segundo Wen, incentivar a demanda interna nesse país onde a população hesita em consumir devido à precariedade do sistema de seguridade social. Uma situação que dificultou o objetivo governamental de reequilibrar a economia para torná-la menos dependente das exportações, que em janeiro passado caíram 17,5%. Por isso Wen prometeu incrementar em 17,6%, para o equivalente a 34 bilhões de euros, os gastos destinados a melhorar as aposentadorias, os benefícios sociais e outros programas de seguros, e afirmou que em três anos 90% da população terão uma cobertura de saúde básica. O orçamento da saúde aumentará 38,2%. "Devemos dar prioridade à luta para garantir o bem-estar das pessoas e promover a harmonia social", disse.

Foram pouco mais de duas horas de discurso em voz melódica, dedicado praticamente na sua totalidade à economia e à situação interna, e com poucas referências à política internacional ou a possíveis reformas democráticas. Um discurso com os crescendos habituais nos pontos críticos de sua intervenção, aos quais os deputados responderam com os também habituais aplausos. Palmas que se tornaram mais fortes quando Wen ofereceu um ramo de oliveira a Taiwan e disse que Pequim está disposta a criar as condições para pôr fim às hostilidades com a ilha, que a China considera parte irrenunciável de seu território.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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