UOL Notícias Internacional
 

06/03/2009

Dirigentes cubanos destituídos reconhecem seus "erros"

El País
Mauricio Vicent
Em Havana
Lage e Pérez Roque renunciam a todos os seus cargos no estado


"No socialismo nunca se sabe que passado o espera." A frase é um velho ditado cubano e hoje é repetida por um analista que se vangloria de ter visto os 50 capítulos da revolução. Nem mais nem menos, isto é, a novela completa. Esse sociólogo se refere aos dois últimos políticos defenestrados pelo presidente de Cuba, Raúl Castro: o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, e o vice-presidente Carlos Lage.

Em Cuba há muitas formas de se anunciar uma demissão. Embora os prejudicados tenham passado 20 anos servindo fielmente à causa da revolução, o modo de fazê-los desaparecer da cena política pode ser cruel e até humilhante - "passará a ocupar as tarefas que a revolução considere necessárias" -, carregada de insultos e adjetivos - "o cidadão fraudou os sagrados deveres da pátria" -, ou com certo ar de misericórdia - "o companheiro foi liberado de suas funções".

Mas este não é o caso. As demissões de Lage e Pérez Roque são acompanhadas de várias cartas autoinculpatórias, publicadas no diário oficial, "Granma", no pior estilo soviético.

Lage se dirige a Raúl Castro como presidente do país e segundo-secretário do Partido Comunista de Cuba e informa sua decisão de renunciar a todos os cargos no governo e também aos que desempenhava na estrutura partidária. "Reconheço os erros cometidos e assumo a responsabilidade." Diz que considera "justa e profunda" a análise colegiada que o levou a abandonar seus cargos, uma análise realizada a portas fechadas no Birô Político, da qual nada se disse na imprensa.

Pérez Roque, por sua vez, renuncia a sua condição de deputado, membro do Conselho de Estado e integrante do Comitê Central do Partido Comunista. "Reconheço plenamente que cometi erros e assumo minha total responsabilidade por eles", afirma, referindo-se a erros que ninguém sabe quais são, nem qual é sua importância. Também não entra em detalhes sobre a reunião do partido, que continua sendo um mistério para os cubanos. "Reitero minha fidelidade a Fidel, ao senhor e ao nosso partido", conclui o ex-chanceler.

No artigo de Fidel Castro publicado na quarta-feira, o ex-presidente afirma que "o mel do poder pelo qual não conheceram sacrifício algum despertou [nesses dirigentes] ambições que os conduziram a um papel indigno". "O inimigo se encheu de ilusões com eles", escreveu Castro. Raúl agora está forjando seu próprio governo e com seus próprios homens, até agora desconhecidos. Sim, com um estilo de ordeno e comando e de palavras e ações diretas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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