UOL Notícias Internacional
 

12/03/2009

Trezentos dissidentes do IRA sustentam pequenos grupos contrários à paz na Irlanda do Norte

El País
Patricia Tubella Em Londres
Depois de três décadas de violência sectária que custou mais de 3.600 vidas na Irlanda do Norte, o comando do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) ordenou que sua militância abandonasse a luta armada em 28 de julho de 2005. Essa decisão, que permitiu três anos depois a assinatura dos Acordos de Paz da Sexta-feira Santa, foi contestada por um reduzido setor que acabou se dividindo em vários grupos de pequena capacidade operacional mas com a vontade intacta de continuar matando.

Um relatório policial destaca que o IRA-Autêntico "carece de apoios". Alguns grupos se misturam com o tráfico de drogas, roubos e sequestros.

O IRA-Autêntico encarna a ameaça mais sangrenta, como demonstrou em 1998, mesmo ano em que culminou a negociação política, com o assassinato de 29 pessoas no atentado com um carro carregado de explosivos em Omagh, o maior massacre em três décadas de conflito na Irlanda do Norte.

Nascido em 1997, quando as negociações que culminariam com os acordos de paz já estavam em andamento, a detenção de seu fundador, Michael McKevitt, em 2001, e a posterior detenção na Lituânia de outro dos principais chefes, Michael Campbell, quando tentava comprar armas, representaram um duro golpe, mas não conseguiram frear suas atividades.

Nas vésperas do ataque que o grupo cometeu no sábado passado contra a base militar de Antrim, um relatório do setor especial da polícia da Irlanda do Norte afirmava que o grupo "carece de apoio, de fundos, de pessoal e de armamento, e só tem capacidade para cometer assassinatos esporádicos, mesmo que, em seus próprios termos, eles o considerem um êxito".

O Setor Especial Antiterrorista está convencido de que essa organização cooperou com o IRA da Continuidade não só no assassinato de um agente local na segunda-feira, como também em ações anteriores contra o novo corpo policial irlandês nascido dos acordos de paz. Entre os dois grupos, somam cerca de 300 membros.

A origem do IRA da Continuidade não está em discrepâncias no terreno militar, mas em uma cisão política que o Sinn Fein sofreu em 1986, ao decidir que seus cargos eleitos participariam de algumas instituições britânicas (embora nunca do Parlamento). O conseguinte Sinn Fein Republicano precisava de seu braço armado e seu lugar foi ocupado pelo IRA da Continuidade. A polícia considera que hoje "organiza e participa de uma série de atividades criminosas graves, como tráfico de drogas, roubos, sequestros e contrabando", cita o último relatório da comissão que controla os movimentos dos grupos paramilitares, tanto católicos como protestantes, embora estes últimos "permaneçam quase inativos".

O Exército de Libertação Nacional Irlandês (formado em 1975 por militantes do IRA contrários a uma trégua anterior) também se move basicamente no mundo do crime organizado, embora caracterize como ação política o maior de seus êxitos: o assassinato do líder da Força de Voluntários Legalistas, o protestante Billy Wright, em 1997. O relatório situa o Exército Republicano Irlandês de Libertação no mesmo arco, definindo-o como "um bando de criminosos que utilizam a bandeira republicana para procurar dar status a suas ações".

O nome Oglaigh na hEireann (Soldados da Irlanda, em gaélico), utilizado ao longo dos anos por uma variedade de grupos, constitui "uma séria ameaça, tanto como organização militar capaz da violência mais extrema como pelas atividades criminosas de seus membros". As forças de segurança o consideram o principal risco desestabilizador, junto com os ativistas do IRA-Autêntico.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,27
    3,252
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h23

    1,58
    74.594,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host