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14/03/2009

Editorial - Contra as tutelas

El País
Editorial do El País
A América Latina adota mecanismo de coordenação militar, uma iniciativa importante

Uma América Latina diferente vai ganhando forma institucional. Acaba de ser formalizada em Santiago do Chile a criação do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), integrado pelos 12 países da América do Sul, nove deles de língua espanhola e um, o Brasil, que fala português e é o grande inspirador do projeto. O CDS é, além disso, o primeiro instrumento adotado pela Unasul (União de Nações Sul-americanas), organização-mãe com vocação para se tornar presente em todas as instâncias da vida sul-americana, criada em uma cúpula em Brasília em maio de 2008.

O novo organismo assume algumas funções de alcance internacional, mas é sobretudo uma mensagem muito poderosa para o exterior: a América não-anglo-saxã não precisa de tutelas como a que os EUA exercem ocasionalmente no fórum da Organização de Estados Americanos e de forma muito mais limitada Espanha e Portugal nas cúpulas iberoamericanas.

O CDS se define primeiro pelo que não é. Não vai criar uma força de mobilização nem rápida nem lenta; não contará com forças armadas permanentes; não ameaça nem defende ninguém. Sua ambição é coordenar o existente, com pleno respeito à soberania nacional, e tudo indica que pode estrear com um êxito. Em 1º de março de 2008, uma incursão militar colombiana em território equatoriano matou Raúl Reyes, segundo chefe da guerrilha terrorista Farc, junto com mais de 20 seguidores. A indiscutível violação territorial levou Quito a suspender - mais que romper - relações com Bogotá. E em Santiago começou o caminho de volta à prudência quando, ao se proclamar o princípio de inviolabilidade territorial, Equador o saudou quase como um pedido de desculpas.

A organização terá uma presidência de turno semestral, de forma que em maio será exatamente o Equador quem sucederá o Chile, que foi o primeiro país anfitrião; será integrada pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores dos países membros, e sua modesta ambição inicial é se transformar em um fórum informativo que impeça incidentes como o citado.

O presidente brasileiro, Lula da Silva, tenta moldar uma nova América Latina para latino-americanos; e se se desenvolve o processo com a luz e taquígrafos que sejam necessários, sempre como expressão da livre vontade dos integrantes, deve-se dar uma calorosa boas-vindas à nova instituição continental.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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