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17/03/2009

Lula pretende se transformar em interlocutor dos EUA representando a América Latina

El País
Editorial do El País
Eles se conheceram por telefone quando Barack Obama acabava de ser eleito presidente dos EUA, e contam que na conversa, que durou 25 minutos, decidiram tratar-se informalmente. Eu Barack, você Lula. E no último fim de semana o presidente brasileiro foi o primeiro líder latino-americano recebido na Casa Branca por um presidente em exercício, em meio a jubilosas e mútuas declarações sobre a aliança estratégica entre os dois colossos do continente americano.

Chegar entre os primeiros a um encontro com um presidente dos EUA debutante é como uma condecoração. Para manter equilíbrios, no entanto, o presidente mexicano, Felipe Calderón, havia de certo modo se antecipado a Lula, ao visitar Obama quando este ainda não tinha assumido o cargo; e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, não teria suportado não ser o primeiro europeu a cumprimentar o líder democrata, como parece que manda a reiterada "relação especial" entre Washington e Londres.

E, sim, entre os EUA de Obama e o Brasil de Lula podem se estabelecer o cimento de uma aliança estratégica, mas não porque faltem empecilhos. Lula já tinha boa relação com o antecessor de Obama, o republicano conservador George W. Bush, baseada em que o esquerdismo moderado do brasileiro contrastava positivamente com o modelo do venezuelano Hugo Chávez. Mas esse era o limite. O grande projeto de Brasília, a construção de uma América Latina sem os EUA como poder tutelar, e na qual o "primeiro entre iguais" fosse ela mesma, não pode deixar indiferente nenhum titular do Salão Oval.

E nesse processo Lula precisa que Washington deponha pelo menos em parte sua oposição a Chávez e ao presidente boliviano, Evo Morales, para o que é verdade que ambos poderiam contribuir usando com maior prudência a palavra; mas sobretudo que Obama admita o pleno reingresso de Cuba nos assuntos públicos e diplomáticos do hemisfério. Obama foi muito cauteloso, adiantando que haveria diálogo e suavização do embargo, mas não se trata da absoluta normalização política com o regime castrista.

E o mundo não pode senão se felicitar por tudo isso. Cuba é um assunto que compete aos cubanos, e a tensão gerada pela guerra de Bush contra o terror mais estimulava que aplacava a violência. Obama aponta para algo muito diferente.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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