UOL Notícias Internacional
 

17/03/2009

Vaticano censura excomunhão da mãe da menina violentada em Pernambuco

El País
Miguel Mora Em Roma
O presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Rino Fisichella, criticou no domingo no jornal da Santa Sé o arcebispo brasileiro José Cardoso Sobrinho, que excomungou a mãe e os médicos que praticaram o aborto em uma menina de 9 anos grávida de gêmeos depois de ser violada por seu padrasto.

Em um artigo publicado em "L'Osservatore Romano", Fisichella critica a postura de Cardoso e defende os médicos. "São outros os que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e que a ajudaram a recuperar a esperança e a confiança", escreve, dirigindo-se à menina. Segundo o arcebispo italiano, o padrasto que violou a menina é quem deveria ter sido excomungado. A menina, ele escreve, "deveria ser em primeiro lugar defendida", e "antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente proteger sua vida inocente e devolvê-la a um nível de humanidade do qual nós, homens da Igreja, devemos ser peritos protetores e mestres".

Em todo caso, Fisichella justifica o mecanismo da excomunhão em caso de aborto e concentra suas críticas na posição do arcebispo. "O aborto não-espontâneo sempre foi e continua sendo condenado à excomunhão, que é automática. Não era necessário, na nossa opinião, tanta urgência em dar publicidade a um fato que ocorre de maneira automática."

Credibilidade
A notícia chegou aos jornais "só porque o arcebispo de Olinda e Recife se movimentou apressadamente para declarar a excomunhão", diz Fisichella, acrescentando que, com o confronto entre o governo brasileiro e a Igreja Católica, "se ressentiu a credibilidade de nossa instrução, que para muitos pareceu insensível, incompreensível e privada de misericórdia".

Giovanni Battista Re, estreito colaborador do papa Bento 16 e presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, declarou ao jornal "La Stampa" que "o verdadeiro problema é que os gêmeos concebidos eram pessoas inocentes, que tinham o direito inegável à vida".

O presidente Lula somou-se aos protestos: "Lamento que um bispo da Igreja Católica tenha um pensamento tão conservador como esse". Mas Sobrinho não cedeu: "Não me arrependo (...). É meu dever alertar a população para que tenha temor às leis de Deus".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,71
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,37
    64.938,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host