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19/03/2009

EUA reforçam fronteira com México para conter o narcotráfico

El País
Yolanda Monge Em Washington
O aumento da violência dos dois lados da fronteira fez o governo Barack Obama começar a traçar um plano para ajudar o México na guerra contra o narcotráfico. A primeira medida foi o envio na quarta-feira de 37 agentes da Agência para o Controle do Álcool, Tabaco e Armas de Fogo ao sudoeste da fronteira. Segundo fontes inteiradas do plano, o Serviço de Imigração e Controle de Aduana (ICE na sigla em inglês) está considerando mobilizar 90 de seus homens naquela área.

É só o começo. A Casa Branca também estuda o envio da Guarda Nacional depois de um pedido formal por parte do governador do Arizona, Estado fronteiriço com o México, cuja capital, Phoenix, vive um aumento da violência e de sequestros em consequência dos grupos de traficantes de drogas. Rick Perry, governador do Texas, solicitou no mês passado um reforço de mil soldados como precaução diante da crescente onda de assassinatos entre cartéis rivais da droga. Obama afirmou que seria reforçada a segurança de fronteira, mas anunciou que não está entre suas intenções uma "militarização" da região. No que se refere ao plano sobre a guerra contra o narcotráfico, o general da força aérea Gene Renuart, que supervisiona os interesses militares americanos dos dois lados da fronteira como chefe do Comando Norte, disse ontem no Senado que o projeto final provavelmente integrará todas as agências do governo, incluindo as de ordem pública e as forças armadas.

"Sem dúvida alguma vamos precisar de reforços", declarou Renuart à Comissão de Serviços Armados do Senado. "Se esses reforços chegarem através da Guarda Nacional ou por outras agências da ordem será estabelecido no plano que estamos criando", informou o general. A luta territorial entre cartéis do tráfico no México já causou mais de 5.300 assassinatos no ano passado e cerca de mil desde o início deste ano. Phoenix se transformou na cidade com o maior número de sequestros nos EUA: 700 nos últimos dois anos.

"Esse é um problema do governo e creio que a melhor forma de reagir a ele é um enfoque integrado, e estamos trabalhando muito duro nesse sentido", afirmou Renuart. "Creio que esta semana teremos um plano para anunciar."

O que a Casa Branca anunciou ontem é que Obama pretende viajar ao México no próximo mês de abril para discutir com o presidente Felipe Calderón temas cruciais em suas relações bilaterais, como a imigração e, é claro, o combate às drogas que vêm do México e o tráfico de armas que tem origem nos EUA.

O general Renuart adiantou ontem que as forças armadas americanas colaboram em paralelo com o governo mexicano, dando treinamento a suas forças de segurança para combater os cartéis, e com os corpos americanos na fronteira, aos quais fornece tecnologia de ponta desenvolvida para frentes bélicas. Renuart salientou que a experiência contra a rebelião no Afeganistão serve no combate ao tráfico e que hoje na fronteira com o México são empregados "sensores, câmeras, postos de escuta e de vigilância com visão noturna para fornecer a informação necessária às autoridades que dirigem as operações". Perguntado sobre se o México estava ganhando ou perdendo a guerra contra o tráfico, o general disse que "o México está assumindo posições muito fortes. Não direi que estão perdendo", concluiu.

Em uma audiência na terça-feira na Comissão de Justiça do Senado, o democrata Richard Durbin apresentou números alarmantes. Segundo o senador, os cartéis mexicanos hoje estão presentes em pelo menos 230 cidades americanas (em lugares tão distantes da fronteira como Anchorage, no Alasca, ou Sheboygan, em Wisconsin), contra somente 50 em 2006. "São a nova face do crime na era da globalização", definiu Durbin. O problema é tão grave e de tais dimensões que no Congresso dos EUA já é considerado uma "ameaça direta" para a segurança nacional.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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