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19/03/2009

"Se não houvesse esta mudança, o país naufragaria", diz presidente eleito de El Salvador

El País
P. Ordaz Em San Salvador
Ele está suando. Acaba de pronunciar seu primeiro discurso na rua como presidente de El Salvador e saúda seus eleitores, apinhados na praça, felizes, ainda incrédulos da noite mágica que lhes coube viver. Faz calor para todos, mas principalmente para Mauricio Funes, 49 anos, que veste um discreto colete à prova de balas por baixo da camisa "guayabera". Dois jornalistas lhe pedem uma avaliação urgente do momento e ele aceita imediatamente, sem protocolo. Aperta a mão forte e enquanto responde limpa os óculos molhados de suor. Tem de levantar a voz sobre um coro de milhares de vozes que cantam, como em tantas outras noites em tantas outras praças: "O povo unido jamais será vencido!".

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El País - O que significa esta mudança para El Salvador?
Mauricio Funes -
Significa que se fechou um ciclo histórico de governos excludentes, autoritários, que não souberam resolver os grandes problemas do país. Quando o partido Arena chegou ao poder há 20 anos, disse que ia transformar El Salvador em uma das economias mais dinâmicas e competitivas do continente, que ia acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade social, combater a criminalidade.

Depois de 20 anos, temos um dos países mais atrasados da América Latina, uma das economias com maior fragilidade estrutural para enfrentar a crise, uma das sociedades mais pobres e sobretudo com os maiores níveis de exclusão e marginalidade social, agravada pela criminalidade, sequestrada pela criminalidade. Somos o país com o índice de homicídios mais alto do continente. Esse é o grande desafio que tenho pela frente.

A mudança que hoje estamos iniciando fecha um ciclo histórico e abre a oportunidade para iniciar um governo autenticamente democrático, que construa uma sociedade justa e democrática, que é a aspiração dos salvadorenhos.

EP - O país precisava dessa mudança para deixar definitivamente na história o eco da guerra?
Funes -
Se não desse essa volta, o país naufragaria. Se não ocorresse essa mudança, esta alternância, o país iria rumo ao descalabro e aprofundaria a polarização. Nós temos a possibilidade de despolarizar o país na medida em que será despolarizado social e economicamente. A polarização política não é uma questão de vontade dos atores políticos, é o reflexo da polarização social e econômica que vive El Salvador.

EP - Qual será a primeira medida do governo?
Funes -
Fazer um governo diferente com um exercício público diferente. E resolver o problema da grave deterioração da situação fiscal do país. Temos de convocar um pacto fiscal para fazer chegar mais recursos ao Estado, e através desse pacto fiscal financiar nossa política social, nossa política de apoio aos setores produtivos nacionais.

EP - Com sua vitória se dissipa a campanha do medo, o fantasma de Hugo Chávez?
Funes -
Com essa vitória o que se demonstra é que acabou o medo da mudança, a mudança segura, a mudança com estabilidade e com governabilidade democrática, que é no que nós apostamos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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