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25/03/2009

O novo tempo da insurgência latino-americana: as esquerdas no poder e a oposição incluem ex-guerrilheiros

El País
Juan Jesús Aznárez Em Madri
Praticamente todos os governos latino-americanos de esquerda integram ex-guerrilheiros. Uma parte deles, porém, está na oposição, fundamentalmente na Venezuela e na Nicarágua.

Argentina As presidências de Cristina Kirchner e de seu marido, Néstor Kirchner, chamaram antigos membros dos Montoneros, uma guerrilha de cunho católico, nacionalista, vigente nos anos 1970 a 1979. Ministros, assessores ou titulares de órgãos públicos, a relação de ex-montoneros é farta: de Rafael Bielsa e Enrique Albistur a Juan Carlos Dante e Patricia Vaca Narvaja.

Brasil Colaboradores muito próximos do presidente Lula da Silva foram guerrilheiros. Dilma Roussef, entre outros, militou na maoísta Vanguarda Armada Revolucionária Palmares. Hoje é chefe de gabinete de Lula, substituindo o advogado José Dirceu, que atuou no Movimento de Libertação Nacional. Arrependeu-se. "Fui treinado guerrilheiro, mas não era a minha", declarou à revista "Veja". "A opção da luta armada foi um equívoco de nossa geração."

El Salvador O vice-presidente eleito de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén, foi membro do comando geral do FMLN, que reuniu ou desbancou outros grupos e se definiu como marxista-leninista durante a guerra (1980-92). Sánchez Cerén foi delegado nas negociações que levaram aos acordos de paz de 1992. Deputado desde 2000, seis anos depois assumiu a direção do FMLN no Parlamento.

Guatemala O presidente Álvaro Colom, social-democrata, foi o candidato em 1999 da antiga guerrilha União Revolucionária Nacional Guatemalteca. Não conseguiu passar no primeiro turno e se afastou da guerrilha. O adversário desse grupo, Miguel Ángel Sandoval, fundador do desaparecido Exército Guerrilheiro dos Pobres, conseguiu apenas 2% dos votos nas eleições de 2007. O fracasso demonstrou o fraco apelo de sua oferta programática.

Nicarágua A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) derrubou o ditador Anastasio Somoza em 1979 e promoveu uma revolução malograda pelas políticas e a corrupção dos ex-guerrilheiros, as divisões internas e o autoritarismo do ex-comandante Daniel Ortega, atual presidente do país. Ortega fechou o espaço para a dissidência sandinista. Os comandantes estão divididos e nada resta da união guerrilheira e ideológica contra a tirania dos Somoza.

Uruguai O presidente Tabaré Vázquez, líder da Frente Ampla, deve muito à ex-guerrilha urbana Tupamaros, cuja militância contribuiu com cerca de 30% dos votos do vencedor das eleições em 2005. Os Tupamaros, simpatizantes da revolução cubana, hoje querem que o histórico José Mújica seja o próximo candidato à presidência. Para chegar ao poder "não influiu tanto o que fizemos como esquerdistas ou progressistas, quanto a gestão negativa dos governos anteriores", disse o tupamaro Julio Marenales.

Venezuela Alguns no governo, como Alí Rodríguez, e outros na oposição, como Teodoro Petkoff, um grupo de ex-guerrilheiros continua na política. Com o golpe militar de 1992 contra Carlos Andrés Pérez, Hugo Chávez também foi, a sua maneira, guerrilheiro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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