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26/03/2009

Turbulência econômica derruba três governos do Leste Europeu

El País
Cristina Galindo Enviada especial a Varsóvia
Primeiro foi a Letônia, depois a Hungria e agora é a vez da República Tcheca. A crise econômica está provocando a queda dos governos do Leste Europeu, encurralados pela turbulência financeira e os protestos populares. Os elevados déficits públicos e as vultosas dívidas externas de muitos países da região não deixam margem para seus Executivos, já bastante instáveis politicamente, aumentar o gasto e os investimentos e contra-atacar os efeitos da crise.

Os analistas já comparam o que está acontecendo no Leste Europeu, muito dependente dos investimentos estrangeiros e das exportações para o Ocidente, com as crises sofridas na América Latina nos anos 1980 e nos 90, quando o Fundo Monetário Internacional teve de resgatar essas economias enquanto seus governos caíam um após o outro. A Romênia se transformou ontem no terceiro país da região a receber ajuda de urgência do fundo, em colaboração com a UE e o Banco Mundial, em forma de empréstimos de € 20 bilhões. A Hungria recebeu ajudas de outros € 25 bilhões e a pequena Letônia, € 10 bilhões. Na cúpula europeia celebrada na semana passada a UE duplicou o limite máximo do mecanismo comunitário de ajuda financeira para as economias do Leste até chegar aos € 50 bilhões.

Enquanto alguns governos pedem ajuda, seus rivais políticos pedem eleições antecipadas. "O que derrubou o governo tcheco não foi na verdade a crise econômica, mas a oposição quer agora prejudicar de maneira especial o partido do (primeiro-ministro Mirek) Topolanek antes das eleições europeias em junho", afirma Jiri Pehe, diretor da Universidade de Nova York em Praga e um dos analistas mais reputados do país, que também preside este semestre a União Europeia.

A coroa tcheca caiu ontem, um dia depois que o partido do primeiro-ministro Topolanek, que estava há meses governando em minoria, perdeu uma moção de censura apresentada pela oposição social-democrata por sua gestão da situação econômica. A República Tcheca enfrenta a crise com maior solidez, em princípio, mas se algo foi demonstrado por esse tsunami financeiro é que ninguém está a salvo da recessão. "Creio que uma equipe de especialistas governará o país até as próximas eleições, previstas para 2010; antecipar as eleições é complicado", acrescenta Pehe.

Outra vítima é o primeiro-ministro húngaro, no olho do furacão muito antes do início desta crise porque sua gestão não conseguiu que o país crescesse no ritmo de seus vizinhos, nem nos bons tempos. Agora Ferenc Gyurcsany decidiu se demitir porque considera que pode ser um obstáculo para a recuperação econômica. Seu partido, o socialista, tem a minoria no Parlamento e terá de buscar um sucessor que convença os dois principais partidos da oposição. O presidente do país, Laszlo Solyom, pediu na quarta-feira (25) que as eleições previstas para a primavera de 2010 sejam antecipadas, para tentar evitar a falência do país.

Mas o recorde de instabilidade está nas mãos da Letônia, que acaba de formar seu 15º governo (uma coalizão de seis partidos) desde o início dos anos 1990. A república báltica, que cresceu 50% entre 2004 e 2007, é o país do Leste mais afetado pela crise: seu Produto Interno Bruto cairá 12% este ano e o desemprego ameaça chegar a 50% da população ativa.

São os primeiros sinais de alarme. O tsunami financeiro arrasa o Leste e seus cidadãos parecem cada dia mais indignados. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, já advertiu que a crise ameaça provocar distúrbios sociais, que já ocorreram de forma considerável na Letônia, Lituânia, Bulgária, República Tcheca e Hungria.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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