UOL Notícias Internacional
 

27/03/2009

Lula e Brown defendem o comércio para sair da crise

El País
Juan Arias No Rio de Janeiro
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disseram na quinta-feira (dia 26) em Brasília que o impulso ao comércio é tão necessário quanto o saneamento dos bancos para reduzir o impacto da crise na economia global. Brown adiantou que na cúpula do G20 que se realizará em Londres em 2 de abril próximo vai propor a criação de um fundo de US$ 100 bilhões "para assegurar que as empresas possam exportar". As contribuições de cada país para esse fundo global deverão ser discutidas, mas Brown disse confiar em que a soma proposta será aceita pelos países do G20, já que é o "mínimo necessário" para impedir consequências maiores para o comércio mundial.

O cordial encontro em Brasília entre os dois mandatários se concentrou quase exclusivamente na crise financeira mundial. Dirigindo seu olhar para o primeiro-ministro britânico, Lula lembrou mais uma vez que nestes momentos críticos as decisões políticas podem ser mais importantes que as econômicas. "Ele (Gordon Brown), outros líderes mundiais e eu sabemos que o momento exige decisões políticas profundas, mais ainda que econômicas", disse.

Lula, que sempre diz lamentar que uma crise alheia ao Brasil venha interromper o ciclo de crescimento do país, foi gráfico ao descrever a situação financeira mundial, que, na sua opinião, foi originada por "gente branca de olhos azuis"; o presidente brasileiro se referia assim aos especuladores internacionais do Primeiro Mundo. Interrogado por um jornalista britânico sobre se estava adotando uma postura ideológica no combate à crise, Lula respondeu que se limitava a dar fé de um fato: "Não conheço nenhum banqueiro negro ou índio... O que eu percebo é que mais uma vez uma grande parte dos pobres do mundo são as primeiras vítimas da crise".

Além disso, Lula criticou o atual sistema financeiro internacional. "Não é possível uma sociedade em que você entra em uma loja do aeroporto e é filmado e vigiado, e que no entanto o sistema financeiro não seja vigiado nem regulamentado", explicou Lula.

Brown concordou com Lula em que é necessário uma mudança na lógica do sistema financeiro internacional. Para ele, o antigo consenso de Washington morreu e já não é possível voltar ao modelo do sistema bancário do passado. Por isso, segundo suas palavras, "é preciso mudar a lógica financeira para permitir que pessoas e empresas se sintam seguras nos bancos".

Os dois mandatários receberam com frieza o plano do presidente dos EUA, Barack Obama. Para Lula, não é necessário usar o pouco dinheiro que resta "para comprar os chamados ativos tóxico", mas matizou que é possível que "Obama tenha tomado essa decisão pensando no bem dos EUA". Brown evitou criticar diretamente o plano de Obama e se limitou a dizer que "é um bom sinal que uma semana antes do G20 o governo Obama tenha se pronunciado sobre os ativos tóxicos".

Com os olhos postos no G20, o primeiro-ministro britânico foi explícito. Para ele, os líderes que irão à cúpula de Londres deverão "analisar juntos o que se realizou em termos de estímulo fiscal, redução de taxas de juros e outras medidas econômicas", e mostrou-se confiante em que o G20 chegará a um consenso quanto à supervisão do sistema financeiro mundial.

"Espero que na cúpula do G20 não só encontremos um consenso sobre o caminho a seguir para um acordo mundial, como também para promover o comércio", disse. Ao mesmo tempo, negou que existam desavenças entre os EUA e a UE sobre como sair da crise. Na sua opinião, existe uma firme determinação dos líderes mundiais para "fazer o que seja necessário para conseguir que a economia volte a crescer".

A condenação do protecionismo econômico foi o pano de fundo do encontro entre Lula e o primeiro-ministro britânico, que apostaram no regresso à Rodada de Doha. "Aprendemos a desfrutar do livre comércio, uma conquista a que não podemos renunciar por causa da crise", disse Lula, que comparou o protecionismo com os remédios que são tomados durante uma doença: "O efeito pode ser imediato, mas depois vem a depressão. E se não agirmos com rapidez além da depressão virá a recessão, sem previsões do que poderá ocorrer no mundo", afirmou Lula com certo mau humor, apesar do otimismo que sempre o caracteriza.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,73
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,00
    65.010,57
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host