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31/03/2009

"Monstro de Mariquita": colombiano é acusado de violar a própria filha durante 20 anos

El País
Pilar Lozano Em Bogotá (Colômbia)
A história de Arcedio Álvarez, o agricultor de 68 anos acusado de violentar durante 20 anos sua filha Nidia, se parece muito com a do austríaco Josef Fritzl, tanto que já o batizaram de o "monstro de Mariquita", porque assim se chama o povoado colombiano onde vivia com a filha. Das reiteradas agressões sexuais de seu pai, conta Nidia, 32 anos, nasceram oito filhos, mas Álvarez insiste que é pai adotivo da mulher e que as relações foram consentidas.

"Ele sempre usou esse escudo protetor; acredita que assim pode se safar da Justiça", salientou no domingo a vítima a este jornal, por telefone. "Ele é meu pai", disse rotundamente. Foi o mesmo que repetiu no Palácio da Justiça de Honda, povoado a noroeste de Bogotá, onde Álvarez foi acusado de estupro e incesto.

Ele foi detido em seu sítio na última sexta-feira. "Eu tinha contado a muitas pessoas o que me acontecia, mas ninguém me escutou", afirmou Nidia. Quando tinha apenas 7 anos, pouco depois da morte de sua mãe, o pai a transformou em sua mulher. O filho mais velho tem 18 anos (ela o teve aos 13) e a menor, 18 meses. Há pouco tempo Nidia fugiu de casa; temia que Álvarez abusasse de suas filhas. "Não me dá alegria nem tranquilidade saber que ele está na prisão; e vejo que ele quer sair com suas histórias", declarou com voz preocupada.

Gilma Jiménez, conselheira de Bogotá e defensora dos direitos da infância, se transformou no apoio de Nidia. "Este é um assunto delicado, estamos em um ambiente social e institucional indiferente a esses dramas."

Na Colômbia são denunciadas por ano 21 mil agressões sexuais; as vítimas, em 15 mil dos casos, são menores de 14 anos. Estima-se que só 10% das agressões são denunciadas e em só 5% há sentença. Em 85% dos casos o agressor é o pai, o padrasto ou um parente. "Isto é uma vergonha", salienta Jiménez.

Mas ela sente que as coisas estão mudando. Em pouco mais de três meses, conseguiu arrecadar 2 milhões de assinaturas em apoio a uma reforma constitucional para punir com prisão perpétua os culpados de delitos atrozes contra a infância.

Nos próximos dias serão feitos testes de DNA no acusado e na vítima. Ainda não se sabe o que acontecerá com os filhos-netos que ontem ficaram sob a proteção de uma instituição do Estado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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