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03/04/2009

Julien Coupat : terrorista ou bode-expiatório?

El País
Antonio Jiménez Barca Em Paris
Para a polícia e o governo franceses, Julien Coupat é o líder de um grupo perigoso de extrema-esquerda. Para outros, é inocente.

Na última manifestação contra o governo francês em Paris havia muitos jovens com uma camiseta que dizia: "Liberdade para Julien Coupat". Nas ameaças de morte que um perturbado enviou há dias para alguns políticos franceses, incluindo o presidente Sarkozy, acompanhadas de uma bala, havia uma frase dedicada a Coupat. Durante as últimas rebeliões na Grécia, ocorreram dois atentados que foram reivindicados por grupos que diziam homenageá-lo. Na quinta-feira um grupo de políticos de esquerda, ativistas e advogados de defesa pediu novamente a liberdade do que se transformou há meses no prisioneiro mais famoso da França.

Quem é Julien Coupat? O que ele fez?

Em 11 de novembro, esse homem de 34 anos, formado em direito e ciências políticas, junto com outros oito companheiros, foram presos e acusados de ter inutilizado, dias antes, várias linhas do Trem de Alta Velocidade na França, o que causou um autêntico caos na rede ferroviária francesa e um pesadelo para os viajantes. A polícia, que já seguia o grupo havia meses, também os acusou de pertencer a um grupo terrorista de extrema esquerda capaz de matar. Os habitantes de Tarnac, o povoado de 300 habitantes na região de Corrèze onde Coupat e seus amigos dirigiam uma mercearia e uma granja onde criavam frangos e coelhos, se espantaram muito que esses jovens alternativos, anticapitalistas e amáveis fossem catalogados como perigosos assassinos.

Mas não a ministra do Interior, Michèlle Alliott-Marie, que sustenta a teoria de que uma esquerda fragilizada, politicamente falando, favorece a criação de grupos extremistas que podem cruzar a linha. Um a um, quase todos os detidos foram postos em liberdade vigiada. Só fica Coupat na prisão. Para a polícia não há dúvida: é o líder do grupo, um homem que se sabia perseguido, capaz de gastar 45 minutos para percorrer três estações de metrô para despistar, ou de pedir o telefone a um passante na rua para estabelecer uma comunicação segura. Uma testemunha protegida, conhecida como "senhor X", se apresentou em uma delegacia pouco depois de saber da detenção para declarar que o conhecia e que para Coupat "a vida humana tem um valor inferior ao poder político".

O juiz perguntou diretamente ao suspeito durante a investigação: "O senhor crê que a luta política pode ter às vezes um valor superior à vida?"

"Isso faz parte da declaração delirante do senhor X, que pretende me fazer passar por um Charles Mason da política. Eu afirmo que é um erro metafísico acreditar que uma justificativa política possa valer a vida de um homem."

O jornal "Le Monde" teve acesso há dias aos milhares de páginas do sumário e dão fé da minuciosa investigação e do acompanhamento estreito, inclusive com telefones grampeados, de que foi objeto o "grupo de Tarnac". Mas não há nenhuma prova firme nenhuma confissão ou depoimento (exceto o do senhor X) que demonstre que os nove jovens tiveram intenção de matar alguém. É verdade que Coupat e sua namorada foram vistos perto de uma das linhas sabotadas, mas eles dizem que foi coincidência.

Em todo caso, denunciam seus advogados, isso não os transforma em integrantes da ETA ou da Al Qaeda. "É um abuso premeditado e político contra pessoas que não pensam como as demais e que rejeitam o sistema", afirma Irène Terrel, advogada de Coupat. "Não existe o 'grupo de Tarnac', não são terroristas, Julien não é líder de nada", acrescenta.

Esta última afirmação, talvez apesar dele mesmo e da polícia, já não é totalmente certa. Basta ver as camisetas de muitos jovens nas manifestações em Paris.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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