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04/04/2009

Cidade italiana determina separação de nativos e imigrantes em linha de ônibus

El País
Miguel Mora Em Roma (Itália)
Uma nova questão na área da segurança e da tranquilidade. A partir de segunda-feira, os imigrantes e os cidadãos de Foggia (região italiana de Puglia) que usam a linha urbana 24 viajarão em ônibus diferentes. Um para negros e outro para brancos. Foi o que decidiu o chefe de polícia, que depende do Ministério do Interior. Para a empresa local de ônibus e para o prefeito, de centro-esquerda, pareceu uma medida razoável.

A linha 24 cobre o trajeto que leva do centro da cidade até o bairro periférico de Borgo Mezzanone. Perto do lugar, a 2 quilômetros, se situa o Centro de Permanência de Requerentes de Asilo (Cara, na sigla em italiano), que hoje abriga 800 pessoas, apesar de só ter capacidade para 500. O prefeito Orazio Ciliberti explicou que a linha 24 estava causando problemas por estar sempre lotada. "Os passageiros iam amontoados e algumas vezes os nativos acusavam os estrangeiros de não pagar passagem; os estrangeiros acusavam os italianos do mesmo e havia brigas frequentes. Assim melhoramos o serviço e evitamos as brigas."

A única diferença entre as duas linhas 24 é que a dos imigrantes, quase todos subsaarianos, terá uma parada a mais, perto do Cara, que a linha usada pelos nativos. O prefeito argumenta que a separação favorece os imigrantes, que não terão de caminhar tanto.

O governador da região, Nichi Vendola, disse que a medida lhe parece um "apartheid intolerável" e pediu ao prefeito que se os serviços atuais são insuficientes sejam reforçados "para todos". "A linha para extracomunitários tem todo o sabor de separação, deve ser abolida o mais cedo possível", disse.

O tunisiano Habib Ben Sghaier, presidente da Associação de Comunidades Estrangeiras de Foggia, considerou a medida "puro racismo" e disse que fica difícil acreditar que tenha sido aprovada pela delegação de governo.

Mas a ONU, através de sua agência para refugiados Acnur Itália, defendeu o serviço e considera que não é discriminatório. Segundo Laura Boldrini, porta-voz da agência, "o ônibus que conecta o Cara de Borgo Mezzanone com a estação de Foggia está ativo há vários anos. Se a linha fosse a única utilizável e fosse proibido aos imigrantes utilizar outros meios públicos, seria um fato gravíssimo. Mas segundo a informação que temos, não é essa a situação."

Segundo a Acnur, o dado positivo é que a comunidade local de Foggia sempre foi acolhedora com os filhos dos solicitantes de asilo, que frequentam as escolas locais. "Para evitar tensões entre os moradores e os imigrantes, é importante que haja disponibilidade de serviços para todos, incluindo transportes públicos", acrescenta a porta-voz, "e que se aumentem os transportes entre o Cara e a cidade."

O alto número de imigrantes que espera o direito de asilo, indica também a Acnur, "não ajuda na tranquilidade da convivência".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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