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04/04/2009

Obama adverte que Al-Qaeda é perigo maior para a Europa que para os EUA

El País
Antonio Caño Enviado especial a Estrasburgo (França)
No coração da velha Europa, na fronteira entre França e Alemanha - os dois países que encabeçaram há algum tempo a revolta europeia contra George W. Bush -, o novo presidente americano, Barack Obama, veio a reconhecer na sexta-feira o papel decisivo que este continente tem na segurança internacional. Mas imediatamente advertiu que esse papel obriga os europeus a assumir maiores responsabilidades no combate ao terrorismo porque, segundo ele, "a Al-Qaeda é um perigo maior para a Europa do que para os EUA".

Obama afirmou que não se opõe a uma estratégia autônoma de defesa europeia, mas acrescentou que ela deve servir para transformar a Europa em um parceiro mais cooperativo. "Queremos aliados fortes. Queremos uma Europa tão robusta do ponto de vista da defesa quanto possa ser", manifestou o líder americano, depois de se reunir com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. "Quanto mais forte for, mais poderemos atuar de forma concertada diante dos desafios que se apresentam", explicou.

O principal desafio atual, ele indicou, é o radicalismo islâmico. "A França admite que deixar a Al-Qaeda operar em territórios seguros, dos quais pode lançar ataques, é uma ameaça não só para os EUA mas também para a Europa." "Na verdade", acrescentou, "é mais provável que a Al-Qaeda seja capaz de lançar um ataque terrorista sério na Europa do que nos EUA, devido à proximidade."

"Esta não é uma missão americana", insistiu, "nem é uma missão da Otan; é uma missão internacional" na qual devem se comprometer todos os países que compartilham a preocupação sobre o perigo que o terrorismo representa.

Obama explicou na sexta-feira a Sarkozy em Estrasburgo e posteriormente à chanceler alemã, Angela Merkel, em Baden-Baden, a nova estratégia americana no Afeganistão, onde se definiu como único objetivo da guerra derrotar a Al-Qaeda, seus aliados taleban e outros grupos extremistas estabelecidos na fronteira com o Paquistão.

Tanto Sarkozy como Merkel disseram compartilhar essa estratégia, mas nenhum se comprometeu a seguir o exemplo americano e enviar mais tropas ao Afeganistão. O assunto será discutido hoje na cúpula da Otan, em que Obama pedirá qualquer forma de apoio para esses planos, seja com tropas, pessoal civil ou assessores militares.

Antes de abordar as evidentes diferenças sobre o assunto, Obama quis aproximar posições sobre a vigência da aliança transatlântica e pôr fim às dissidências que dominaram grande parte do governo Bush.

"Eu vim à Europa esta semana", disse Obama em um fórum com jovens alemães e franceses, "para renovar nossa aliança, uma aliança na qual os EUA escutam e aprendem com nossos amigos e aliados."

O presidente americano admitiu que no período anterior ocorreram alguns atos de "arrogância" por parte de Washington e outros de "insidioso antiamericanismo" em alguns países da Europa. "Temos de reconhecer que permitimos que nossas relações fossem à deriva", declarou.

É hora de superar essas discrepâncias e "buscar soluções comuns para nossos programas comuns". Mas para isso a Europa não pode deixar exclusivamente nas costas dos EUA as responsabilidades pela segurança. "Nossos amigos e aliados precisam compartilhar o peso", insistiu Obama.

Dentro dessa política de dividir responsabilidades, o presidente Sarkozy manifestou que não seria coerente exigir dos EUA o fechamento de Guantánamo "e não fazer nada para ajudar que isso ocorra". Por esse motivo, o presidente francês aceitou receber pelo menos um preso dos cerca de 250 que se encontram na prisão da base militar americana em Cuba.

À margem dos êxitos que possam ser obtidos na cúpula de sábado, é evidente que o clima pessoal entre os dirigentes dos dois lados do Atlântico melhorou notavelmente com o novo inquilino da Casa Branca. Sarkozy e Merkel mencionaram isso na sexta-feira de forma explícita. "Confio em sua palavra e em sua inteligência", declarou o presidente francês.

Um dos objetivos dessa visita era, do lado americano, lembrar a seus parceiros que as novas prioridades dos EUA na Ásia e em outras regiões do mundo não reduzem sua preocupação pela segurança transatlântica. "A Otan é a aliança mais bem-sucedida da história moderna, um pilar da política externa americana", afirmou Obama.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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