UOL Notícias Internacional
 

07/04/2009

"Alguns nos definem como de extremo-centro", diz ex-prefeito de Medellín e candidato à presidência da Colômbia

El País
J. M. Martí Font Em Barcelona
Sergio Fajardo, o homem que transformou Medellín e que agora pretende se transformar em presidente da Colômbia, enfrenta uma romã. Seus gomos suculentos cospem tinta vermelha. "É um perigo", admite, mas insiste em estripá-la até que sua imaculada camisa branca sofre as consequências. Não poderia imaginar que em Barcelona, tomando o café da manhã no novo hotel do reinventado bairro de Raval, encontraria sua particular Madalena de Proust. "Me encantam, porque em Medellín é primavera perpétua a 1.500 metros acima do nível do mar, e quando menino na minha casa havia um quintal com pés de laranja, manga, tangerina, goiaba, pássaros lindíssimos e... romãs. Não era uma fruta comum, mas me encantava, e toda vez que vejo uma quero comê-la."

A prefeitura de Barcelona e o FAD concederam um prêmio de urbanismo ao programa com que Fajardo transformou radicalmente sua cidade, tristemente famosa pela violência associada ao narcotráfico. Sua passagem pela prefeitura viu um declínio da criminalidade de 75%. Medellín se dotou de grandes bibliotecas, espaços de encontro em cada bairro, escolas nas áreas menos favorecidas, centros esportivos e cobertura escolar e de saúde para todas as crianças. A romã ganhou a batalha.

Sua mulher, uma beleza clássica, morena, de pomos salientes, se aproxima da mesa e contempla a cena com um sorriso. "Vou comê-la, vou entrar no banheiro e comê-la", promete Fajardo. Mas pede um café e decide mudar de fruta. Em 2003, à margem da classe política, sem conexões com os partidos, Fajardo e um pequeno grupo de amigos decidiram se candidatar à prefeitura de Medellín, provocando um movimento de baixo para cima. O sucesso daquela experiência o leva agora a ser candidato à presidência da Colômbia em 2010.

Mas Álvaro Uribe, o atual presidente, com um índice de popularidade muito alto depois de seus sucessos contra a guerrilha, mantém aberta a possibilidade de tentar a reeleição. A decisão já está tomada?, pergunta o jornalista. "Claro", responde. "Tenho insistido que, com ou sem Uribe, nós fazemos política por convicção e não por cálculo. A política é apresentar propostas, princípios e lutar por eles. Não depende de quem esteja, mas de nossa energia."

A incerteza que Uribe criou sobre sua candidatura "dá o poder a ele", afirma Fajardo, "porque todo o país gira em torno do que ele faz ou não faz, do que disse ou não disse, para quem olhou". Fajardo foi professor de matemática - "não deveria estar aqui, deveria estar dando aulas" - e decidiu entrar na política para "deixar de opinar sobre o que era preciso fazer e passar diretamente a fazê-lo".

Mas uma coisa é Medellín e outra repetir a façanha em escala nacional, contra os partidos políticos organizados e evitando definir-se em termos de direita ou esquerda. "Somos um movimento cívico independente; não nos definimos por negação, mas por construção. Há os que nos definiram como um extremo-centro e outros não sabem como nos classificar." E antes de se entregar ao fotógrafo ele sobe para o quarto para trocar de camisa. E leva a romã culpada. Será que a comeu na banheira?

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h10

    -0,06
    3,274
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h11

    1,50
    62.600,76
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host