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11/04/2009

Falta de investimentos põe em risco a conservação de Veneza

El País
Milena Fernández Em Veneza
A frágil e velha metrópole foi construída sobre estacas de madeira mergulhadas na lama há mais de mil anos. Sobre estas, pedras de cimento sustentam palácios e casas, praças e pontes. A madeira resistiu. As pedras e o cimento, não. Há uma semana despencaram 30 cm de pedra que sustentavam a base de uma parada do "vaporetto" no canal de La Giudecca. A água e a passagem do tempo são fatais para Veneza, que precisa ser restaurada 365 dias por ano. Mas sua sobrevivência está ameaçada pela falta de € 53 milhões: brilham por sua ausência € 17 milhões correspondentes ao orçamento do ano passado, aos quais se somam € 28 milhões programados para enfrentar a conservação de 2009. Tudo isso é indispensável para a restauração de cimentos, canais, pontes e edifícios.

A entidade municipal Insula se encarrega de retocar as feridas que a água provoca nas 117 ilhas que formam Veneza. Seu diretor, Giampaolo Sprocati, dá o alarme: "Não temos dinheiro para o futuro nem recebemos o correspondente ao ano passado. Estamos atrasando o pagamento dos trabalhos já realizados e para seguir em frente precisamos recorrer a empréstimos bancários. A situação é dramática. Nos transformamos em uma espécie de bombeiros: somos capazes de intervir só em caso de emergência". Se as coisas não mudarem, corremos o risco de fechar a Insula, adverte o prefeito Massimo Cacciari. Os efeitos começam a ser sentidos. Cinco pontes em mau estado foram fechadas e não se sabe quando voltarão a funcionar.

Acompanhar durante um dia uma equipe da Insula mostra a gravidade da situação. Neste caso trabalham em alguns canais completamente secos e em processo de restauração. A 100 m abaixo do nível do pavimento, a Sereníssima brilha tão delicada quanto um cristal. Mas há lama por toda parte e cheira a fossa. À simples vista, pode-se ver como as bases de alguns edifícios que dão frente para o canal estão começando a ceder e, em consequência, as paredes se rompem. Uma equipe de oito operários reforça novamente as pedras com cimento.

Esta é só uma das funções da Insula. Quando a entidade nasceu, em 1996, o panorama era pouco animador. Muitos canais não eram navegáveis devido ao acúmulo de lama, que impedia o trânsito de gôndolas e barcos. Desde então foram escavados 300 mil m3 de sedimentos. Manter limpos os encanamentos, controlar o funcionamento da água potável, a energia elétrica, o gás e o telefone, ou reconstruir o solo nas áreas deterioradas são outras funções da Insula.

Mas sem recursos tudo isso poderia ficar no limbo. Sprocati calcula que faltam 20 anos para pôr em dia a manutenção da cidade.

O dinheiro que ninguém viu chegar é proveniente da famosa lei especial aprovada depois da terrível inundação que golpeou severamente Veneza em 1966: a maré superou o nível de 1,90 metro e estouraram as redes de iluminação, telefone e gás. Em alguns pontos os venezianos caminhavam com água na altura do peito. Mais adiante, em 1973, foi promulgada a norma segundo a qual o Estado "reconhece a defesa de Veneza e da laguna, problema de proeminente interesse nacional. Com esse fim garante a proteção do ambiente paisagístico, histórico, arqueológico e artístico de Veneza".

Mas se há dinheiro embaixo do colchão, por que não chega ao seu destino? Silvio Berlusconi colocou a primeira pedra do Moisés, um sistema de diques móveis para defender Veneza da maré alta. O custo inicial da complexa obra de engenharia foi calculado em € 4,3 bilhões. As obras avançam e espera-se que estejam prontas em 2014. Mas o governo italiano fechou a torneira do dinheiro para a manutenção da cidade e o concentrou nos diques: "Os edifícios e seus cimentos exigem uma atenção permanente. O Moisés não resolve tudo, mas o governo defende porque é uma obra que cria um grande impacto jornalístico", lamenta Sprocati.

Veneza é um museu ao ar livre que cai aos pedaços, segundo 150 fotografias tiradas entre fevereiro e março por uma associação ambientalista. O documento foi enviado ao Parlamento Europeu, ao Ministério dos Transportes e ao Ministério de Bens e Atividades Culturais, entre outros.

A degradação de Veneza, indica o documento, se deve à escassa manutenção e aos danos que provoca em seu cimento o constante movimento da água agitada por enormes navios de cruzeiro e todo tipo de embarcações. Essa é a grande contradição: a antiga cidade sofre porque não foi pensada para tanto tráfego, mas os cruzeiros repletos de turistas são muito rentáveis.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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