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14/04/2009

EUA dão um golpe contra a pirataria na Somália

El País
David Alandete Em Washington
A marinha dos EUA conseguiu resgatar no domingo (12) o capitão do navio mercante Maersk Alabama, Richard Phillips, de 53 anos, capturado na quarta-feira por piratas somalis. Na operação morreram três de seus sequestradores. O quarto tinha sido transferido para o destróier Bainbridge para negociar sua entrega e ficou sob custódia americana, segundo informou no domingo o Departamento da Defesa. Participaram da operação forças militares e especialistas do FBI. A tática com que foi solucionado o sequestro poderá abrir novos caminhos, mais agressivos, no modo como a comunidade internacional vai enfrentar uma rede criminosa que em 2008 capturou 40 barcos.
  • Reuters/Arquivo pessoal

    Richard Phillips foi libertado por ação da marinha dos EUA



O presidente americano, Barack Obama, autorizou o uso da força caso se chegasse ao extremo de que a vida de Phillips corresse perigo. O presidente descreveu o capitão Richard Phillips como "um modelo para todos os americanos". "Estou muito orgulhoso dos esforços das forças armadas dos EUA e dos demais departamentos e órgãos que trabalharam sem descanso para salvar o capitão", disse em um comunicado.

O comando militar americano decidiu solucionar o sequestro com o uso limitado da força. Assim pôs fim a mais de cem horas de cativeiro, nas quais quatro piratas armados conseguiram manter em alerta todos os EUA. Finalmente o capitão Phillips, que sua tripulação descreveu como um homem valente, que arriscou a vida para impedir que os 19 homens sob seu comando sofressem algum dano, voltará como herói nacional para sua casa em Vermont.

A operação começou quando o sequestrado saltou do bote salva-vidas em que estava detido, aproveitando as primeiras horas da noite, e os piratas lhe apontaram suas armas, segundo informação revelada no domingo pelo Comando Central das Forças Armadas. "Nesse momento estimamos que sua vida corria perigo e decidimos agir", disse no domingo o vice-almirante Bill Gortney em uma entrevista coletiva.

Um comando dos Navy Seal (corpo de operações especiais da marinha) matou os três piratas que permaneciam no bote. O capitão foi transferido para o Bainbridge, do qual se coordenaram os trabalhos de resgate.

França adota braço de ferro

Na França, a luta contra a pirataria deu uma volta trágica com a morte de um dos reféns do veleiro francês Tanit durante a operação de resgate lançada na sexta-feira por um comando da marinha francesa. O proprietário do veleiro sequestrado havia uma semana, um jovem pai de família de 28 anos, morreu durante o tiroteio entre os militares e os piratas, e o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, reconheceu que o homem pode ter sido morto por um disparo francês.

Os resgatados, a viúva da vítima, seu filho de 3 anos e um casal de amigos que viajava com eles, chegaram no domingo à tarde a Paris em um avião especialmente fretado e serão recebidos nos próximos dias pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Sarkozy reafirmou na sexta-feira "toda a determinação da França a não ceder à chantagem". Desta vez, porém, Paris tentou negociar com os sequestradores antes do assalto, porque a vida de um menor corria perigo. Não é a primeira vez que a marinha francesa intervém. Em uma operação militar espetacular, forças especiais libertaram os tripulantes de um veleiro de luxo em abril de 2008. Em setembro do mesmo ano o exército voltou a intervir para libertar um casal retido durante duas semanas por piratas. E 12 piratas detidos nessas operações estão na França, onde deverão ser julgados.
(Por Ana Teruel, em Paris)



O FBI tinha dirigido as negociações com os piratas, que foram interrompidas na madrugada de sábado. Até então, líderes tribais da região somali de Jariban tentaram intermediar por telefone com os quatro sequestradores de Phillips. Os EUA exigiam que ele fosse libertado e os sequestradores, detidos, coisa que os líderes tribais negaram. Os piratas exigiram um resgate inicial de € 1,5 milhão.

Finalmente, o comando americano decidiu romper as negociações. Phillips já tinha tentado escapar pela borda no sábado, aproveitando a escuridão. Nessa ocasião os piratas voltaram a capturá-lo e ameaçaram matá-lo.

Os EUA permaneceram quase cinco dias pendentes da libertação do capitão. Seu barco chegou na madrugada de sábado ao porto de Mombaça, no Quênia, para onde se dirigia inicialmente com uma carga de alimentos para a ONU. "Ele salvou nossa vida! É um herói", exclamou o imediato do navio, Ken Quinn, ao chegar a terra. A tripulação relatou o sequestro com detalhes. Os piratas assaltaram o barco de forma incomum. Seu número, quatro pessoas, era reduzido em comparação com outras operações semelhantes, o que alguns veículos da mídia americana aventuraram que poderia se dever a que fosse uma ação improvisada e que provavelmente os piratas não soubessem que estavam assaltando um navio com bandeira americana.

Quando chegaram à coberta, o engenheiro do barco, A.T.M. Reza, conseguiu capturar seu líder. Em um intercâmbio intenso, o capitão Phillips decidiu oferecer-se como refém. Desse modo ele regressaria ao barco quando o líder dos piratas fosse posto em liberdade. Os assaltantes não cumpriram sua parte do trato.

Em quase dois séculos os EUA não viviam uma crise semelhante. Os últimos atos de pirataria de que o país se lembra são os das guerras Berberes, quando enfrentou chantagem e sequestro por parte de piratas do norte da África no início do século 19. No entanto, o problema da pirataria se acrescentou à má lembrança que impera em Washington da sangrenta derrota vivida na Somália nos anos 1990.

Em 1993 as tropas americanas que se encontravam na Somália em missão humanitária enfrentaram em Mogadíscio as milícias do chefe guerreiro Mohamed Farrah Aidid. Estas conseguiram abater dois helicópteros Black Hawk e mataram 18 soldados americanos. O presidente Bill Clinton ordenou a retirada total da região e sua administração começou uma fase isolacionista, na qual evitou intervir em conflitos armados no Terceiro Mundo.

Essa situação mudou na semana passada, quando a pirataria afetou os EUA. O senador republicano Tom Coburn disse à rede de TV Fox News que não se podia oferecer nenhum tipo de concessão a esses piratas e que na gestão desse problema seria preciso agir "de forma muito mais agressiva". Essa foi a fórmula que permitiu libertar Phillips e que talvez se transforme em prática mais comum para lidar com a pirataria.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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