UOL Notícias Internacional
 

15/04/2009

Novo governo israelense de extrema-direita desperta receios em Washington

El País
Ana Carbajosa Em Jerusalém (Israel)
O enviado norte-americano para o Oriente Médio, George Mitchell, aterrissa nesta quarta-feira em Israel. Sua visita é crucial, a terceira do emissário de Barack Obama à região, mas a primeira desde que Benjamin Netanyahu formou um governo que se desentende dos processos de paz iniciados por seus antecessores, que contam com o apoio da comunidade internacional e deveriam culminar com a criação de um Estado palestino.

Com pouco menos de duas semanas de vida, o novo governo de extrema-direita israelense foi capaz de semear grande preocupação entre seus principais aliados, incluindo os EUA. Washington se preocupa porque o novo ministro das Relações Exteriores israelense, o ultradireitista Avigdor Lieberman, se apressou em seu discurso de posse a enterrar o processo de Annapolis - promovido pelos EUA em 2007 com vistas ao nascimento de um Estado palestino. "Não tem validade", disse o ministro israelense. Mas provavelmente preocupa ainda mais o governo Obama o fato de o primeiro-ministro Netanyahu ter mantido silêncio e resistido a pronunciar as palavras mágicas que as chancelarias dos dois lados do Atlântico aguardam com ansiedade: dois Estados, um palestino e um israelense.

Netanyahu fala em uma "paz econômica", cujo conteúdo não especificou, mas que consiste em promover o desenvolvimento econômico dos territórios palestinos e assim ganhar estabilidade, sem impor através de negociações calendários com obrigações para ambas as partes nem acordos que conduzam necessariamente à criação de um Estado palestino.

A visão do presidente Obama é bem diferente, como explicou durante sua recente visita à Turquia cinco dias depois de Lieberman tomar posse. "Deixem-me ser claro: os EUA apoiam com força o objetivo de dois estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado com paz e segurança." E o presidente americano acrescentou: "Esse é o objetivo que as partes acordaram no Mapa do Caminho e em Annapolis, e esse é o objetivo que perseguirei ativamente como presidente".

Estando assim as coisas, fontes diplomáticas israelenses temem um choque de trens entre os dois grandes aliados e reconhecem que o discurso de Lieberman "não foi muito promissor". Dizem as mesmas fontes que, em qualquer caso, será preciso esperar algumas semanas para ver o que realmente pretende o novo governo israelense, "porque o que está claro é que apesar de que os europeus cercam Bibi para que se pronuncie, por enquanto não quer se comprometer com uma fórmula que contemple a criação de um Estado palestino".

Fontes diplomáticas europeias, habitualmente prudentes, também manifestam agora sem rodeios sua decepção diante dos primeiros passos do governo israelense. A UE não tem intenção de concretizar o aprofundamento de suas relações com Israel como estava previsto para esta primavera, porque "neste momento não há apetite para nada. Primeiro veio a guerra em Gaza e depois o negacionismo do novo ministro das Relações Exteriores; a primeira coisa que devem fazer é abrir a Faixa de Gaza para que entrem os víveres que são necessários", queixam-se as fontes.

Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que na quarta-feira inicia uma visita de dois dias à zona, durante a qual deverá se reunir com membros do governo israelense, afirmou na terça-feira em Madri, segundo a imprensa israelense, que "a Europa não aceitará uma situação em que o governo Netanyahu rejeite as decisões de seus antecessores em relação ao processo de paz".

E até o sempre dócil presidente palestino, Mahmud Abbas, deixou claro no último fim de semana que não pretende sentar-se para negociar com o Executivo israelense se não aderir aos acordos negociados com seus antecessores - incluindo Annapolis - e se não cessar o crescimento dos assentamentos.

Mitchell, antigo negociador no processo de paz na Irlanda do Norte, chega a Israel com o objetivo de "promover a fórmula de dois Estados", segundo anunciou o Departamento de Estado dos EUA. Mas em todo caso, adverte Roni Bart, especialista israelense em relações transatlânticas do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Tel Aviv, "provavelmente Mitchell se limitará nesta visita a escutar e averiguar o que Netanyahu tem em mente em relação aos palestinos. A prova definitiva será a visita de Netanyahu à Casa Branca em maio". Será então, concordam os analistas, que ficará claro até que ponto as relações entre os aliados correm perigo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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