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16/04/2009

Líder social-democrata alemão propõe uma nova Constituição

El País
Juan Gómez Em Berlim
SPD tenta reconquistar o eleitorado do leste, feudo do novo partido, A Esquerda. O até pouco tempo atrás pujante partido, que resultou do casamento entre comunistas do leste e dissidentes social-democratas da órbita de Oskar Lafontaine no oeste, parece estagnado nas pesquisas

O presidente do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Franz Müntefering, se lançou à reconquista do leste do país com a proposta de redigir uma Constituição para substituir a atual Lei Fundamental (Grundgesetz), em vigor desde 1949. Müntefering acolhe dessa forma, 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, uma velha reivindicação de muitos cidadãos procedentes da antiga Alemanha Oriental (RDA).

Assim o SPD se distancia de seu parceiro de coalizão no governo, a União Democrata Cristã (UDC) da chanceler Angela Merkel. A cinco meses das eleições, os social-democratas tentam pescar nas águas eleitorais do leste. É ali que há mais apoio para a formação A Esquerda, herdeira do partido único (comunista) da Alemanha Oriental. Müntefering é a ponta-de-lança eleitoral do SPD, que lidera junto com o candidato a primeiro-ministro e atual ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.

A proposta desconcerta porque não explica que alterações são necessárias no texto de 1949. Na quarta-feira (15), Müntefering defendeu no jornal "Ruhr Nachrichten", de Dortmund, que "não se trata de reinventar a Lei Fundamental", mas de iniciar, no 60º aniversário do texto que substituiu o regime nacional-socialista (nazista), "um processo que nos leve em médio prazo a uma nova Constituição comum, aceita pelos cidadãos do leste e do oeste".

Em uma entrevista no dominical "Bild am Sonntag", o presidente do SPD referiu-se ao "ceticismo dos alemães do leste diante da Lei Fundamental". Ceticismo que "não se deve a seu conteúdo", mas ao fato de não ser um texto redigido especificamente para a unificação das duas Alemanhas em 1990. Sobre se o SPD abriria um processo constituinte caso ganhasse as eleições de setembro, mostraram-se mais cautelosos no departamento de imprensa da central em Berlim. Na quarta-feira não pareciam ter muito claro o que fazer com a Constituição. Evidentemente, insistem, o SPD é defensor e partidário da Lei Fundamental. Afirmam que a iniciativa de Müntefering é para o debate. Não se trata de uma promessa eleitoral, dizem. Os demais partidos alemães também entendem assim e falam de estratagema eleitoreiro.

A CDU (democracia cristã) rejeitou imediatamente a proposta de Müntefering, que, dizem, provoca um "debate perigoso" porque sugere que os alemães do leste têm hoje menos direitos que os do oeste.

Os liberais do FDP se opuseram como a CDU, enquanto os Verdes mostraram seu ceticismo. O deputado Dieter Dehm, da Esquerda, afirmou, talvez para devolver a surpresa a Müntefering, que seu partido "considera que a Lei Fundamental é uma das melhores constituições do mundo".

O resgate social-democrata de alguns de seus princípios tradicionais para estas eleições, como a introdução de um salário mínimo, o aumento dos impostos para os ricos ou a melhora dos subsídios sociais causa certa inquietação na esquerda. O até pouco tempo pujante partido que resultou do recente casamento entre ex-comunistas do leste e dissidentes social-democratas da órbita de Oskar Lafontaine no leste parece ter estagnado nas pesquisas. Os social-democratas, pelo contrário, recuperaram apoios depois de ter enterrado as rixas internas que o cindiram durante os últimos anos.

Embora a CDU continue líder, segundo todas as pesquisas, as perspectivas do SPD, já acima de 25%, saíram dos abismos estatísticos de alguns meses atrás. O SPD corteja, sem muito recato, Verdes e Liberais para um tripartite que Steinmeier poderia liderar. Para isso, deve fortalecer seu perfil como candidato e tirar partido das dificuldades de Merkel com a crise econômica, as críticas internas na CDU e as de seu partido irmão bávaro, CSU.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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