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18/04/2009

Cúpula das Américas: Cuba está disposta ao diálogo com EUA, mas não deseja o "intercâmbio" de gestos

El País
Mauricio Vicent Em Havana
Cuba está excluída da 5ª Cúpula das Américas, mas é evidente que os dias de seu isolamento na região terminaram. Nos últimos seis meses, uma dezena de presidentes latino-americanos passaram por Havana, incluindo o líder indiscutível do hemisfério, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Também aliados naturais do governo cubano, como o venezuelano Hugo Chávez ou o presidente do Equador, Rafael Correa; e chefes de Estado que não escondem suas diferenças com Havana, encabeçados pela argentina Cristina Kirchner e a chilena Michelle Bachelet.

Estiveram em Cuba governantes de três países centro-americanos: Daniel Ortega, da Nicarágua; Martín Torrijos, do Panamá; e Álvaro Colom, da Guatemala, país que até pouco tempo atrás não tinha sequer relações diplomáticas com a ilha. Inclusive as mais altas autoridades de Trinidad e Tobago, onde se realiza a cúpula, viajaram recentemente a Havana para convidar Raúl Castro a visitar Port of Spain "quando desejar".

Todos eles manifestaram sua rejeição ao embargo americano e seu desejo de que a ilha regresse às instituições políticas regionais. Cuba se deixou querer e agradeceu, mas o presidente Raúl Castro e seu irmão Fidel manifestaram que não lhes interessa pertencer à Organização de Estados Americanos.

Que a correlação de forças no continente mudou é óbvio. Tanto mudou que pela primeira vez Cuba pode "sabotar" um presidente americano na Cúpula das Américas, onde Washington é o galo do galinheiro. Se não "sabotar", pelo menos torná-la inviável para Barack Obama com o tema do embargo e impedir, com a intervenção de seus aliados, que se chegue a um consenso para a declaração final.

Obama chega a Port of Spain com um primeiro gesto feito em direção a Cuba e a região: eliminou as restrições às viagens e remessas dos cubano-americanos. O presidente americano acredita que agora Cuba deve dar um "sinal" para avançar no caminho da distensão. Mas Raúl Castro já disse que seu país não aceita uma dinâmica de "gesto por gesto".

Na cúpula da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), realizada na quinta-feira (16) na Venezuela, Raúl Castro novamente se mostrou disposto a dialogar com os EUA sem nenhuma limitação. Se quiserem, disse, pode-se falar "de direitos humanos, de liberdade de imprensa, de presos políticos... tudo, tudo, tudo o que quiserem discutir", mas de você para você.

A normalização das relações entre os dois países não é simples. E no xadrez político de Cuba e EUA tudo conta... A cúpula de Trinidad e Tobago é um bom termômetro para medir boas vontades: se, por exemplo, os aliados de Havana não transformarem o tema de Cuba em um prego ardente e derem a Obama a cúpula "pacífica" que ele reivindica, os EUA tomarão nota. E tudo o que Obama fizer e disser sobre Cuba na sessão plenária e nas entrevistas laterais será acompanhado com extrema atenção nos gabinetes oficiais de Havana. Ontem Hugo Chávez, ao concluir a cúpula da Alba, disse que a exclusão de Cuba impede o consenso em Trinidad e Tobago. A partida do degelo já começou.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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