UOL Notícias Internacional
 

18/04/2009

Cúpula das Américas: Obama se aproxima de Cuba

El País
Antonio Caño Enviado especial a Port of Spain
Washington já não acredita no embargo como única política e aposta em uma transição paulatina e controlada na ilha

O presidente Barack Obama vem para a cúpula americana de Trinidad e Tobago com a mão estendida para Cuba, com o claro objetivo de esgotar todos os meios ao seu alcance, além das medidas anunciadas até agora, para normalizar as relações com o regime comunista da ilha. Nesse sentido, o presidente americano espera alguns gestos de reciprocidade por parte das autoridades cubanas, mas não exige mudanças imediatas nem uma virada brusca para a democracia.

Seu propósito nesta cúpula é principalmente enviar a toda a América Latina a mensagem de que Washington já não acredita no embargo econômico e no isolamento como única política para Cuba, e buscar alianças regionais para facilitar uma transição paulatina e controlada em Havana.

"O presidente chega a Trinidad e Tobago em busca de uma aproximação pragmática dos problemas da região, com a intenção de deixar para trás os debates ideológicos do passado", afirma Dan Restrepo, assessor da Casa Branca para Assuntos Latino-Americanos. Nessa linha, Obama lembrou que a democratização, os direitos humanos e o reconhecimento das liberdades individuais em Cuba continuam sendo metas de seu governo. Mas admitiu que não espera que "essas mudanças ocorram da noite para o dia".

Obama deixou claro que o levantamento de todas as restrições para que os americanos com parentes em Cuba viagem à ilha, anunciado na última segunda-feira (13), é só um primeiro passo no caminho da normalização de relações. "Poderá haver outros quando Cuba estiver disposta a dá-los também", afirmou pouco antes de deixar o México.

Entretanto, acrescentou o presidente americano, o governo cubano poderia mostrar algum gesto de reciprocidade com as medidas adotadas em Washington. Inclusive sugeriu que a permissão para as viagens a Cuba seja correspondida com a autorização para que os cubanos que residem na ilha possam ir para o estrangeiro. Outro gesto que os EUA apreciariam por parte dos responsáveis cubanos seria a liberdade para que seus cidadãos possam ter acesso irrestrito aos canais via satélite da televisão americana.

"Precisamos comprovar a seriedade de ambos os lados na busca de um novo modelo de relações", explicou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. As medidas tomadas até agora são, segundo Obama, "uma prova de nossa boa fé". "Agora estamos interessados em ver o que os outros estão dispostos a fazer para demonstrar sua boa vontade", acrescentou Gibbs.

Entre esses "outros" estão os países, especialmente Venezuela, Nicarágua e Bolívia, que reivindicam a representação de Cuba em uma cúpula da qual está excluída pelo caráter autoritário de seu sistema político. Os três ameaçam não assinar a declaração final da cúpula se esta não condenar explicitamente o embargo norte-americano à ilha.

O governo de Washington interpreta essa ameaça como uma mera operação política, uma tentativa de ganhar destaque e evitar a possível aproximação entre Washington e Havana. Jeffrey Davidow, o representante americano nos preparativos para esta cúpula, afirma que a declaração final foi negociada durante nove meses e "inclui pontos reclamados pela Venezuela, assim como os EUA e outros países".

O governo americano está especialmente preocupado com o papel que tentará jogar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que viajou a Havana para se reunir com o presidente Raúl Castro antes de seguir para Trinidad e Tobago e que é considerado um freio constante na reconciliação entre os dois antigos inimigos do continente.

Chávez e Obama não se reunirão aqui frente a frente, mas se encontrarão em uma reunião que o presidente americano realizará com os chefes de Estado da América do Sul, um cenário que os especialistas consideram tentador para que o presidente venezuelano coloque seu selo pessoal.

Durante anos Chávez foi tecendo os fios de uma aliança anti-norte-americana na região, com a ajuda de alguns outros presidentes latino-americanos e do desprestígio do último inquilino da Casa Branca. Essa aliança parece agora ruir, tanto pela audácia da política de Obama como pela crise econômica, que cortou o fluxo da ajuda externa venezuelana.

Uma mudança em Cuba, que continua sendo o principal slogan desse setor, significaria o golpe fatal para a política que Chávez vem defendendo durante todo esse tempo.

Um papel fundamental nesse xadrez é jogado pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, admirado pelo novo presidente americano e respeitado por todos os participantes da cúpula.

Lula se transformou no fiel dessa balança. Pouco antes de chegar a Port of Spain, Obama lhe telefonou precisamente com o objetivo de garantir o bom resultado da cúpula. "O objetivo da conversa foi garantir que a reunião se concentrará em uma agenda positiva", explica Restrepo. Quer dizer, que se evitará um boicote por parte de Chávez.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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