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24/04/2009

Turcos e armênios se aproximam depois de um século de inimizade

El País
J. C. Sanz Em Madri
A diplomacia do futebol do presidente da Turquia marcou em setembro passado o primeiro gol da distensão entre os turcos e armênios, mas o gol definitivo foi marcado por Barack Obama, há pouco mais de duas semanas em Istambul, com sua mediação entre os dois países para que normalizem suas relações. As matanças e deportações maciças de centenas de milhares de armênios cristãos sob o Império Otomano em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, deixaram uma pesada herança de ódio entre os dois povos, que se agravou com a independência do atual estado da Armênia depois da dissolução da União Soviética e o fechamento da fronteira comum em 1993.

A presença do presidente turco, Abdullah Gül, no palco do estádio de Ierevan, a capital armênia, na partida Armênia-Turquia de classificação para a Copa do Mundo da África do Sul em 2010, foi o primeiro grande gesto de reconciliação em quase um século de confrontos.

  • AP - 29.abr.2007

    Presença de Abdullah Gül (foto) em partida de futebol foi o primeiro grande gesto de reconciliação em quase um século de confrontos

Os Ministérios das Relações Exteriores da Turquia e da Armênia divulgaram na noite de quarta-feira um comunicado em que anunciam um acordo, alcançado com a mediação da diplomacia suíça, para "a normalização de suas relações bilaterais". A decisão servirá para promover as negociações de adesão da Turquia à União Europeia. O presidente dos EUA se reuniu no último dia 7 em Istambul, ao fim de sua primeira grande viagem internacional, com os ministros das Relações Exteriores da Turquia e da Armênia para lhes pedir que busquem uma solução diplomática para suas disputas.

O Departamento de Estado saudou nesta quarta (22) o princípio de acordo entre os dois países e pediu que seja aplicado "em um prazo de tempo razoável". Obama não escondeu em declarações diante da influente comunidade armênia dos EUA, anteriores a sua chegada à Casa Branca, que considera as matanças de armênios sob o Império Otomano um genocídio.

E exatamente nesta quinta-feira (23), coincidindo com o Dia da Memória da Armênia, o presidente pretendia estudar uma resolução do Congresso na qual se condena expressamente o genocídio de 1,5 milhão de armênios em 1915. Uma decisão desse tipo dinamitaria as complexas relações entre Washington e Ancara, já que referir-se às matanças de armênios como genocídio continua sendo considerado um delito pela lei turca.

A Turquia se apressou a estender a mão à Armênia diante da pressão dos EUA, mas agora teme perder o apoio do Azerbaijão, seu tradicional aliado no Cáucaso e um país rico em jazidas de gás e petróleo. O governo de Ancara fechou as fronteiras com a Armênia depois da intervenção militar deste país no enclave azerbaijano de Nagorno-Karabakh, em apoio aos separatistas armênios que pegaram em armas pela independência desse território.

O fechamento das fronteiras atuou como um autêntico embargo econômico para a Armênia, que ficou privada de sua saída comercial para a Europa. "A reabertura da fronteira (turco-armênia) pode provocar novas tensões na região e afetar seriamente os interesses do Azerbaijão", afirmou nesta quarta em Baku um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores azerbaijano. O país se transformou em uma das principais alternativas de abastecimento de petróleo aos países da UE através da rede de oleodutos da Turquia. Também está previsto que a rede de gasodutos Nabucco conecte as grandes jazidas de gás do mar Cáspio com a Europa Ocidental através da península da Anatólia.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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