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24/04/2009

Zapatero vislumbra o final da crise

El País
Fernando Garea Em Madri
O primeiro-ministro espanhol justifica no Congresso que mudou o governo para "sermos mais rápidos e eficazes" e prevê que "as cifras do desemprego" vão melhorar dentro de alguns meses

O novo governo servirá para pilotar o caminho para a recuperação da crise econômica que seu primeiro-ministro já vislumbra. José Luis Rodríguez Zapatero foi o último a reconhecê-la e o primeiro a vislumbrar seu final. Pelo menos é essa a impressão que ele quis transmitir na quarta-feira no plenário do Congresso. O primeiro chefe de governo espanhol que comparece para explicar uma remodelação ministerial saiu com as duras críticas de todos os grupos, mas quis deixar a mensagem da futura recuperação, uma vez que "se tenha aparado o golpe" da recessão.
"Considerei que é um bom momento para dar um novo impulso à execução das medidas contidas em nosso Plano de Estímulo à Economia e ao Emprego, que começa a surtir efeitos tangíveis na economia real. Fiz as mudanças para preparar com a máxima presteza a fase que vai da crise à recuperação econômica", repetiu.

  • Chema Moya/EFE - 22.abr.2009

    Zapatero prevê que "as cifras do desemprego"
    vão melhorar dentro de alguns meses

A crise econômica tanto pesou na remodelação governamental que o primeiro-ministro chegou a vinculá-la diretamente às conclusões da cúpula do G20, que "representou uma certa mudança na atitude dos governos diante da crise e exigiu deles uma mudança de ritmo".

A crise do governo serve - nas palavras de Zapatero - "para sermos mais rápidos e eficazes na luta contra a crise, para aumentar a cooperação com todas as administrações de nosso país junto ao diálogo social, para continuar melhorando nossas infraestruturas, para reforçar a aposta estratégica na educação e para terminar o quanto antes as demais reformas modernizadoras". E concluiu que a crise também serve "para manter bem vivos os sinais de identidade de um projeto progressista como são as políticas sociais e o prestígio da cultura espanhola".

Essa argumentação soa como uma certa crítica implícita aos ministros destituídos, com Pedro Solbes na cabeça. Zapatero parece dizer que com Elena Salgado (Economia), Manuel Chaves (Política Territorial), José Blanco (Fomento), Ángel Gabilondo (Educação), Trinidad Jiménez (Saúde) e Ángeles González-Sinde (Cultura) esses objetivos podem ser alcançados. Ou que Solbes freava a recuperação.

Como vislumbrar é "conjeturar por leves indícios", Zapatero baseou esse final da crise econômica - "a mais grave do último meio século" - nos dados do plano de investimento local, os novos encargos para o setor automobilístico e o superávit da previdência social, entre outros.
"Os números de desemprego e emprego terão uma cor mais nivelada nos próximos meses", chegou a proclamar na réplica. "Continuamos mergulhados na fase aguda da crise, mas os efeitos das medidas começarão a ser notados nos próximos meses no emprego", acrescentou.

Que o presidente faça esses prognósticos ainda é mais relevante se cumprir a previsão da maioria dos porta-vozes, que considera que a substituição de Solbes por Salgado coloca realmente Zapatero à frente da economia. "Temo, no sentido amplo da expressão, que o novo ministro da Economia seja o senhor, e por certo já não terá de ficar à sombra do senhor Pedro Solbes", disse Joan Ridao (Esquerda Republicana da Catalunha, ERC).

Zapatero escutou as críticas de todos pela crise econômica, "a improvisação", a localização itinerante da competência da dependência e as universidades, e a criação de uma terceira vice-presidência, e respondeu em um tom ácido a quase todos. Mais duro com o Partido Popular e os nacionalistas da Convergência e União (CiU) e sobretudo com o Partido Nacionalista Basco (PNV) e um pouco menos com a esquerda. Se apreciou como nunca que a seleção natural, a lógica política e os acontecimentos decantaram a Câmara em dois blocos: o do PP e os nacionalistas e o da esquerda (ERC, Bloco Nacionalista Galego - BNG, Esquerda Unida - IU e Iniciativa para a Catalunha-Verdes - ICV), nos quais Zapatero espera apoiar-se fundamentalmente.

Assim, de forma significativa, Duran (CiU) começou com esta frase: "Subscrevo a filosofia descrita pelo porta-voz do Grupo Popular (Rajoy) em suas primeiras palavras. Sinceramente, no comparecimento do presidente do governo pouco se disse sobre a remodelação do mesmo e, em todo caso, pelo menos no julgamento de nosso grupo parlamentar, o dito sobre economia é pura e simplesmente mais do mesmo".

Com Rajoy o primeiro-ministro debateu as palavras do governador do Banco da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, sobre o suposto déficit da previdência social, que Zapatero negou e que o líder da oposição esgrimiu com entusiasmo.

Caiu na armadilha e se enredou nas 12 medidas econômicas anunciadas por Rajoy, até transformá-las no centro do debate. "É absoluta literatura que não diz nada", disse o primeiro-ministro, para terminar cedendo ao PP a paternidade dos avais de 3 bilhões do Instituto de Crédito Oficial para garantir a cobrança das faturas não-pagas pelas prefeituras.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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