UOL Notícias Internacional
 

25/04/2009

Governo israelense de extrema-direita desafia a Europa

El País
Juan Miguel Muñoz Em Jerusalém (Israel)
Com palavras e fatos, o governo ultradireitista israelense desafia a União Europeia e seus esforços para promover uma negociação séria com a Autoridade Palestina. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está consciente de que a política externa de Bruxelas é pouco mais que uma ilusão. Sabe que a unanimidade exigida para a aprovação de decisões torna inviável a imposição de sanções, mesmo que sejam simbólicas. Mas essa mesma unanimidade representa um obstáculo à melhora das relações econômicas, científicas e culturais acertada no final de 2008 entre a UE e Israel e congelada desde a guerra de Gaza. "Não nos imponham condições", Netanyahu espetou na quinta-feira o primeiro-ministro tcheco e presidente de turno da União, Mirek Topolanek.

Bruxelas, assim como o governo de Barack Obama, adverte que Israel deve deter a construção nas colônias da Cisjordânia e a demolição de casas palestinas em Jerusalém Oriental, além de aceitar a negociação com os palestinos sobre a base dos dois estados. "Atividades recentes com tendência a criar novas realidades em campo refutam essa visão", declarou a comissária de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.

Netanyahu não nega, mas além disso se recusa a aceitar os compromissos pactuados por governos israelenses anteriores. Uma posição muito semelhante à que mantém o Hamas, e que acarreta consequências drásticas para o 1,5 milhão de habitantes de Gaza, que sofrem um bloqueio econômico devastador.

Só esta semana escavadeiras demoliram uma casa na Jerusalém ocupada e meia dúzia ao sul de Nablus (Cisjordânia). Já somam cerca de 500 no últimos cinco anos. O primeiro-ministro faz ouvidos moucos aos pedidos, fiel à carta fundamental de seu partido, o Likud, que não reconhece o direito dos palestinos a formar um Estado. "Se os israelenses não podem construir residências na Cisjordânia, os palestinos também não devem ter permissão... Não tenho planos para levantar novas colônias, mas se alguém quer edificar uma nova casa nas que já existem, não creio que haja problema", afirma Netanyahu. Sim, há problema, mesmo que Israel finja que o caminho do pacto com a UE seja paralelo ao do conflito com os palestinos.

"A questão é se o acordo aprovado no final de 2008 será condicionado à admissão do princípio dos dois Estados. Cinco ou seis países parecem dispostos a fazê-lo. O que quase com certeza não terá lugar é a cúpula anual que a presidência tcheca da UE desejava realizar com Israel em junho. Enquanto for necessária a unanimidade, não creio que se consiga, embora pela mesma razão também não se conseguirão pronunciamentos contra Israel", afirma um diplomata europeu acreditado em Tel Aviv.

Em plena crise econômica, vários dirigentes europeus começam a sugerir que o financiamento da Autoridade Palestina (cerca de 1 bilhão de euros anuais) se insere em um plano institucional que só tem sentido se o objetivo for a criação do Estado palestino. Também sugerem que as opiniões públicas europeias podem acabar cansadas de pagar a Israel a conta que lhe caberia como país ocupante.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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