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28/04/2009

Queda do petróleo e das remessas ameaçam o Equador

El País
Cristina Galindo Em Madri
A crise econômica ameaça a viabilidade dos programas de gastos públicos do Equador, um dos pilares que sustentam a popularidade de Rafael Correa. Depois de dois anos de bonança petrolífera, com os preços do barril em picos históricos, o presidente equatoriano deve enfrentar um segundo mandato mais complicado: as receitas do cru - financiam 40% do orçamento nacional - despencaram devido à queda da cotação, enquanto as remessas que chegam dos cidadãos que trabalham no estrangeiro, sobretudo nos EUA e na Espanha, começam a minguar.

Os efeitos são imediatos: o Produto Interno Bruto, que no ano passado cresceu 5,3%, aumentará só 3% este ano, segundo o Banco Central do Equador. E suas previsões são de longe as mais otimistas. A Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) prevê que o PIB ficará estagnado este ano, e o Fundo Monetário Internacional, que cairá 2%.

A principal ameaça é o petróleo, cujos preços caíram 65% desde o pico do ano passado. Só no primeiro trimestre de 2009 as receitas das exportações de cru caíram 67%, e crescem as dúvidas sobre a capacidade financeira do Estado para manter o ritmo de vida que lhe permitiu duplicar os gastos públicos entre 2006 e 2008.

"A crise afetará o andamento da economia e o investimento social, mas Correa afirmou que a política social é prioritária e será a última a ser cortada", afirma em uma entrevista por telefone Adrián Bonilla, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais do Equador. "Houve melhoras nos níveis de pobreza e o acesso à educação e à saúde aumentou", acrescenta. A pobreza ainda afeta 40% dos equatorianos. São as rendas baixas e médias que estão notando maior queda das remessas - 8,5% em 2008, mas só no último trimestre deste ano a queda foi de 22%.

E aproximam-se tempos piores. O Equador teve de pedir ajuda a organismos de crédito multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Um dos problemas é a pequena margem de manobra para enfrentar a queda de seu principal setor de exportações, porque a economia está dolarizada. Vender petróleo por menos dinheiro significa receber menos dólares, mas o governo não tem capacidade para fabricar mais dinheiro para compensar, e a economia sofre. "No pior cenário possível, se poderia recorrer à desdolarização, mas teria um custo social excessivo", acrescenta Bonilla. Voltar à moeda nacional representaria renunciar à credibilidade internacional do dólar. A falta de dólares já começa a ser notada. No primeiro trimestre se esvaíram 7% dos depósitos bancários.

"Governar com um barril a US$ 100 como no ano passado é fácil; fazê-lo com o barril a US$ 40, como agora, também não é impossível, mas o principal problema da economia é Correa e sua má gestão, que nos levou a duplicar os gastos", afirma Vicente Albornoz, diretor do Instituto Cordes em Quito e crítico do presidente Correa. O especialista opina que o investimento social se concentrou demais em aumentar os salários dos funcionários públicos - professores, médicos... - e não em melhorar os serviços.

A mão dura de Quito com as empresas estrangeiras - entre elas as espanholas Repsol e Telefónica - se traduziu em uma queda do investimento externo no país. Em 2007, foram US$ 132 milhões, segundo a Cepal, contra os US$ 270 milhões de um ano antes. A economia peruana, de tamanho semelhante, recebeu US$ 5,342 bilhões. Depois de ganhar no domingo, Correa se comprometeu a continuar aplicando essa mão dura "para defender os interesses do país".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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