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28/04/2009

Vida sexual de Lugo desencadeia uma crise política no Paraguai

El País
Alejandro Rebossio Em Bueno s Aires
O presidente do Paraguai, o ex-bispo católico Fernando Lugo, descartou na sexta-feira passada (24) a possibilidade de renunciar a seu cargo, apesar das numerosas denúncias por supostas paternidades não reconhecidas que se apresentaram nas últimas três semanas. Antes do primeiro processo, o único que Lugo reconheceu como verdadeiro, esse político novato que acabou, em 2008, com 61 anos de hegemonia do Partido Colorado, já vinha sofrendo uma feroz oposição dentro e fora do seu governo de coalizão. Agora, quando duas outras mulheres garantem que conceberam filhos daquele que foi bispo de San Pedro (400 km ao norte de Assunção) até 2005, o poder do chefe de Estado paraguaio enfraqueceu mais. Enquanto isso, outras duas mães negaram publicamente que seus filhos eram de Lugo.

"Diante dos rumores de instabilidade e conspiração, este processo não sofrerá retrocesso até 15 de agosto de 2013, quando estaremos entregando a nosso sucessor a faixa presidencial", disse Lugo na última sexta-feira. O presidente do país sul-americano atacou setores que "tecem suas teias de aranha e suas intrigas por baixo da mesa".

Lugo começou a militar na política em 2006, mas só pendurou o hábito em 2007 para se candidatar a presidente. Para chegar ao poder, esse admirador da Teologia da Libertação se aliou com a tradicional força rival dos colorados, o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Seu vice-presidente no governo é o liberal Federico Franco, mas os dois se distanciaram pouco depois de assumirem seus cargos, em agosto passado.

Franco esclareceu que não endossará "nenhum pedido de julgamento político" para destituir Lugo porque "não há motivos". A Constituição paraguaia estabelece que para que o Congresso inicie um julgamento político, são necessários dois terços dos votos. O Partido Colorado e os demais grupos opositores não somam essa quantidade, mas poderiam alcançá-la se tivessem o apoio dos liberais, que estão divididos entre os seguidores de Lugo e os de Franco (um deles pediu a renúncia do presidente).

A presidente do Partido Colorado, Lilian Samaniego, preferiu pedir ao procurador-geral do Paraguai que investigasse Lugo por "estupro". A mãe do único filho reconhecido por Lugo, Viviana Carrillo, de 26 anos, havia declarado que foi seduzida pelo então bispo quando ela tinha 16, ainda que tenham tido o filho em 2007. Uma procuradora advertiu que o delito estaria prescrito.

Além da denúncia de Carrillo, duas outras mulheres declararam esta semana que tiveram filhos com Lugo. Uma delas é Benita Leguizamón, que recorreu à Justiça por seu filho de seis anos. A outra é Damiana Morán, que esclareceu que não denunciaria o presidente paraguaio por seu filho de somente um ano e quatro meses, mas confirmou o rumor de que Lugo teria mais outros três descendentes, o que somaria seis. No entanto, dois desses três casos foram desmentidos pelas supostas ex-amantes do chefe de Estado. Diante das acusações concretas de Leguizamón e Morán, Lugo se mostrou na sexta-feira passada "disponível para responder à Justiça". "Sou um ser humano, e portanto, nada humano me é estranho", afirmou.

Tradução: Lana Lim

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