UOL Notícias Internacional
 

01/05/2009

As lições da gripe aviária

El País
E. de Benito Em Madri
A ameaça que começou em 2003 deixou preparados os sistemas de prevenção

  • Diptendu Dutta/AFP - 18.jan.2009

    Funcionários da vigilância sanitária nepalesa sacrificam aves como medida preventiva antigripe em Kakavitta, no Nepal, em janeiro de 2009

Afinal, é possível que todos os esforços, debates e investimentos que foram ocasionados pela ameaça da gripe aviária tenham servido para algo. Os alertas foram ativados no final de 2003. No fim de 2004 haviam sido sacrificadas centenas de milhões de aves e em três países houveram pessoas infectadas (China, Vietnã e Indonésia, com 50 doentes e 36 mortos). Na última terça-feira, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), havia 420 infectados, dos quais 257 morreram.

Esses números parecem tirar a razão dos que se apressaram a pedir medidas urgentes diante do que se aproximava. Em 2004 o mundo se preparou para o pior. Era possível uma mutação, e o vírus - pouco infeccioso mas letal - poderia ser a pandemia que se esperava havia mais de dez anos.

A Espanha não foi exceção. Em meio à discussão política que dominou as decisões em questões de saúde desde 2002, quando se completou a transferência das competências, o Conselho Interterritorial viveu várias sessões incendiárias.

Debates semelhantes foram vividos na maioria dos países ricos. Afinal, a OMS estabeleceu linhas mestras de atuação. E em maio de 2005 surgiu o Plano Nacional de Preparação e Resposta diante de uma Pandemia de Gripe, uma transposição adaptada ao caso espanhol das recomendações da OMS. Os autores o deixaram aberto a qualquer tipo de gripe, não só à aviária. "Sabemos que haverá uma pandemia, mas não temos certeza de que seja esta", disse o diretor-geral da Saúde Pública, Manuel Oñorbe.

No plano são detalhados em cada nível os objetivos dos sistema sanitários, desde o simples controle e tratamento dos primeiros doentes até a criação de cinturões de segurança. Também se definem as prioridades na hora de distribuir os antigripais e as primeiras vacinas.

Mas chegar ao texto não impediu que cada sobressalto provocasse confrontos. O mais ruidoso foi a da distribuição dos antigripais. O Ministério da Saúde calculou - seguindo as instruções da OMS - que bastava ter, em um primeiro momento, 2 milhões de doses (suficientes para tratar 5% da população). O número foi em seguida contestado. O conselheiro de Saúde de Valência, Vicente Rambla, disse em 2005 que era "necessário" que se comprassem mais doses. Senão, anunciou que a comunidade as adquiriria. O conselheiro madrilenho, Manuel Lamela, também atacou no mesmo sentido. Afinal a Saúde adquiriu 10 milhões de tratamentos, dos quais ficou uma parte.

A outra grande discussão foi por causa das vacinas. Armazená-las não serve para nada porque o vírus muda todo ano. Então se montou a batalha para ter uma fábrica. Quando a Saúde e a Comunidade de Madri já tinham um acordo verbal com um laboratório, este foi adquirido por outro maior e a operação foi para o lixo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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