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01/05/2009

Juan Ortín, virologista e pesquisador do CSIC: "O H1N1 pode sofrer mutação para maior ou menor virulência"

El País
Alicia Rivera Em Madri
  • AP

    Imagem de microscópio cedida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças mostra o H1N1

Com 11 genes, os vírus da gripe não pareceriam grande coisa para um leigo, mas é óbvio que são potentes. Juan Ortín os conhece muito bem. É um especialista internacional no patógeno da influenza, e nestes dias está sendo bombardeado com telefonemas, perguntas e consultas em seu laboratório no Centro Nacional de Biotecnologia em Madri. Esse professor de pesquisa do CSIC e do Centro de Pesquisas Biomédicas em Rede de Enfermidades Respiratórias cuida de pesquisa básica em virologia: busca respostas para incógnitas chaves da epidemia do H1N1.

El País - O genoma desse novo vírus está sequenciado?
Juan Ortín -
Como todos os vírus gripais do tipo A, tem oito peças de RNA que funcionam como cromossomos independentes e ao todo contém 11 genes. Alguns vírus isolados desse surto foram completamente sequenciados, a informação é pública e está disponível nas bases de dados.

EP - Que informação se obtém da sequência genética?
Ortín -
A sequência nos dá uma ideia da origem dos genes que o novo vírus contém. Os vírus da gripe possuem uma grande capacidade de misturar seus genes com os de outros vírus gripais, porque estão distribuídos nessas diversas peças ou cromossomos.

EP - O que significa o fato de que tenham ocorrido casos de contágio entre humanos?
Ortín -
Os vírus de gripe suína podem ocasionalmente infectar humanos e vice-versa, mas o normal é que não sejam transmitidos entre indivíduos do novo hospedeiro. No surto mexicano, os vírus de origem suína se transmitem eficazmente entre humanos, o que disparou os alarmes. Isso pode ser resultado da nova combinação de genes que esses vírus têm ou de alguma mutação adicional que não conhecemos. Será preciso realizar experimentos específicos para averiguar.

EP - Isso significa que se tornou mais virulento?
Ortín -
Não necessariamente. Um vírus pode se transmitir muito eficazmente mas não produzir enfermidade. A transmissão é condição imprescindível para que ocorra uma epidemia, mas suas consequências para a saúde não são determinadas só pelas propriedades de transmissão.

EP - Esse novo vírus pode sofrer mutação para maior virulência e resistência aos medicamentos?
Ortín -
Com efeito, é possível que o vírus mute para maior ou menor virulência. Quanto à resistência aos antivirais, os vírus isolados até agora são sensíveis, mas é possível que, com o uso desses medicamentos, sejam selecionadas variantes resistentes. De fato, isso já ocorreu em alguns vírus da gripe humana.

EP - A vacina da gripe vale? Se não, pode ser adaptada?
Ortín -
Em princípio, a vacina vigente terá pouca utilidade, já que o vírus de origem suína é sorologicamente diferente do humano, embora pertença ao subtipo H1N1 que está presente na vacina atual. A geração de uma específica não deve ser um problema. A limitação é o tempo necessário para gerar o vírus vacinal, testar a eficácia da vacina, fabricá-la e distribuí-la: normalmente leva alguns meses.

EP - Por que ataca sobretudo adultos jovens?
Ortín -
Não está claro. Alguns autores sugerem que talvez se deva a uma resposta imune exagerada, que estaria presente mais frequentemente em adultos jovens.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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