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05/05/2009

Gripe suína na África: a região mais vulnerável

El País
Lali Cambra Na Cidade do Cabo
O continente reforça seus controles para evitar que os surtos de gripe agravem a malária ou a tuberculose

Por enquanto não foram confirmados casos da nova gripe no continente africano. Os dois suspeitos, duas mulheres sul-africanas que tinham viajado recentemente ao México, deram resultado negativo. A União Africana (UA), reunida na Etiópia, debate as medidas para implementar para proteger o continente, ainda não afetado. "Esperamos estabelecer um plano de prevenção continental e, caso necessário, mecanismos para combater o surto", disse no último fim de semana o comissário para Paz e Segurança, Jean Ping, em Adis Abeba, enquanto a unidade africana da OMS estabelecia uma equipe de crise em Brazzaville (Congo).

Dali será coordenado o reforço dos sistemas de vigilância epidemiológica dos 53 países do continente que podem se encontrar em uma situação de maior risco. As autoridades de saúde estão acostumadas a lidar com surtos epidêmicos das doenças clássicas da região, como a tuberculose ou a malária, que têm sintomas semelhantes aos da gripe A H1N1. Além disso, a África é mais vulnerável devido à elevada porcentagem de população soropositiva (superior a 20% em alguns países do sul, nos quais também chega o inverno), com sistemas imunológicos mais debilitados.

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A resposta está ocorrendo em várias frentes: continental, com o controle da União Africana e da Afro (escritório da OMS na região subsaariana, para unificar políticas de prevenção e controle epidemiológico); regional, com o estabelecimento de equipes técnicas (por exemplo, na Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África; e nacional, onde cada país estabeleceu suas próprias linhas de defesa.

Os países com litoral intensificaram os controles em seus portos: do Senegal à Mauritânia, no Atlântico, até Moçambique, Quênia, Etiópia e Tanzânia, no Índico. A África do Sul instalou sensores de calor em seus aeroportos para detectar passageiros com febre, enquanto países do interior, como Ruanda ou Burundi, destacaram equipes médicas em seus postos de fronteira.

A capacidade do continente para a detecção e análise dos casos varia, embora os laboratórios estejam mais preparados que no passado devido ao alerta estabelecido nos últimos anos com a gripe aviária. Em alguns casos os sistemas de saúde já estão condicionados pelos contínuos surtos epidêmicos de cólera, febre do Rift ou meningite. É preocupante a situação no Egito, por ser um cruzamento de caminhos entre Europa, África e Oriente Médio; na Nigéria, onde houve vários surtos de meningite nos últimos meses de difícil controle, e no Zimbábue, onde as autoridades não conseguiram controlar um surto de cólera no início do ano, que matou cerca de 2 mil pessoas. "Muitos países têm sistemas de controle bem organizados", explica Lucille Blumberg, responsável pela Unidade de Vigilância do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul, lembrando que muitos são coordenados pelo Instituto Pasteur na França. "O problema é identificar exatamente a gripe A H1N1 como tal, quando já estamos cheios de pneumonia, tuberculose ou malária, com sintomas muito semelhantes."

Outros especialistas se mostram preocupados com a capacidade dos sistemas de saúde de enfrentar numerosos casos, por falta de medicamentos. Assim, preocupa a interação entre a nova gripe e os infectados por HIV, muito mais vulneráveis, por terem o sistema imunológico mais deprimido (algo que se constata nas gripes sazonais clássicas). É por isso que a OMS estabelece que as pessoas infectadas com HIV devem ser consideradas de alto risco e uma prioridade na prevenção do contágio com a gripe H1N1. O epicentro da infecção por HIV é o sul do continente. Na África do Sul acredita-se que haja mais de 5 milhões de soropositivos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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