UOL Notícias Internacional
 

05/05/2009

Gripe suína na Ásia: a vigilância de exceção

El País
José Reinoso Em Pequim
China prefere errar por excesso de precaução e o México a acusa de confinar seus cidadãos "sem fundamento"

Com a lembrança da epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda e grave, na sigla em inglês) em 2003, ainda fresca e o vírus da gripe aviária rondando, a Ásia tomou medidas estritas para evitar, na medida do possível, que a nova gripe se estenda na região. Os governos da área querem evitar que ocorra uma situação como aquela, que provocou centenas de mortos e foi um duro golpe para suas economias.

As frágeis infraestruturas de saúde - sobretudo nas áreas rurais -, a pobreza e suas enormes populações tornam países como a China ou a Índia especialmente vulneráveis caso o vírus se propague. Na Indonésia, por exemplo, morreram 119 pessoas da gripe aviária desde 2003.

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Por isso os governos regionais tomaram decisões que, em alguns casos, foram qualificadas de draconianas, como as quarentenas forçadas. Em paralelo, ativaram os sistemas de vigilância de temperatura dos passageiros nos aeroportos, e estão estocando antivirais e outros equipamentos médicos para lutar contra uma possível pandemia.

Um claro exemplo das medidas radicais é o isolamento do Hotel Metropark em Hong Kong, com mais de 300 clientes e trabalhadores no interior - entre eles oito espanhóis -, decretado na última sexta-feira, depois que um mexicano que se hospedou naquele hotel foi diagnosticado positivo para o vírus. Foi o primeiro caso confirmado dessa gripe na Ásia, ao qual se somou um na Coreia do Sul, disparando os alarmes no continente.

"Prefiro errar por excesso de precaução do que perder a oportunidade de conter o vírus", afirmou Donald Tsang, chefe do Executivo de Hong Kong, diante da dureza das medidas. O governo da ex-colônia britânica foi muito criticado por não ter atuado com suficiente presteza diante do surto de Sars, que saltou para o mundo de Hong Kong depois de ter surgido em Guangzhou, no sul da China. O vírus acabou matando 774 pessoas - de um total de 8.096 infectados, 349 delas na China continental e 299 em Hong Kong. Agora a ex-colônia preparou um campo de férias situado nas redondezas da cidade como zona de quarentena.

Mais de uma centena de pessoas que viajaram nos voos usados pelo mexicano contagiado de Hong Kong foram isoladas em Pequim, Xangai e outras províncias. Muitas são mexicanas, o que provocou protestos da ministra das Relações Exteriores, Patricia Espinosa, que afirma que foram confinadas a esmo, apesar de não terem apresentado sintomas da doença, "em condições inaceitáveis". "São medidas discriminatórias e sem fundamento", declarou Espinosa, criticando também duramente a proibição dos voos procedentes do México decretada por Pequim.

Em Cingapura as mudanças na legislação realizadas durante a Sars permitem que as autoridades recolham em suas casas de forma obrigatória os suspeitos de estarem infectados, sob ameaça de prisão. O Japão ordenou que os hospitais preparem zonas especiais para os possíveis contaminados e disse que suspenderá as aulas nos colégios e proibirá as concentrações de pessoas se houver um surto. Enquanto isso, vai tentar acelerar o desenvolvimento de uma vacina.

A China vetou a importação de carne de porco do México e de três Estados dos EUA. A Austrália aprovou a possibilidade de pôr em quarentena os suspeitos contra sua vontade. O Plano de Ação contra a Pandemia, atualizado no mês passado, permite adotar "medidas extraordinárias".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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