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06/05/2009

O "assassino do zodíaco" ressurge do túmulo

El País
David Alandete Em Washington
O Assassino do Zodíaco voltou. Quatro décadas após esse misterioso homicida em série ter aterrorizado a baía de San Franciso, seu espectro e sua enigmática assinatura, uma cruz dentro de um círculo, voltaram aos jornais. No fim dos anos 1960, ele matou pelo menos cinco pessoas (mas acredita-se que ele tenha deixado cerca de 30 vítimas), enviou cartas enigmáticas e criptogramas para a imprensa, manteve um diálogo com a polícia de San Francisco através dos diários, e inspirou pelo menos outros dois assassinos em Nova York e no Japão. Durante anos foi um mestre da fuga, que a polícia não conseguiu deter. Os agentes o descreveram na época como "um criminoso torpe, um mentiroso, e possivelmente um homossexual latente".

Segundo um inesperado depoimento, o Assassino do Zodíaco era Guy Ward Hendrickson, um carpinteiro de Orange County, pai de seis filhos, que faleceu há 26 anos. A responsável por revelar a informação foi sua filha, Deborah Pérez, de 47 anos, que tinha cerca de sete quando aconteceram os assassinatos, e que, inconscientemente, se viu obrigada a ajudar seu pai a cometer suas maldades.

Se a polícia confirmar esses fatos, Deborah Pérez terá herdado de seu pai a espetaculosidade da encenação. Simbolicamente, escolheu as escadarias da sede do "San Francisco Chronicle", um jornal para o qual o assassino enviou várias cartas, para fazer essa revelação na quarta-feira da semana passada. Dezenas de repórteres ouviram seu testemunho, entre a penitência e a catarse, sempre com uma lágrima a ponto de escorrer sobre a face.

"Quero reparar todos seus erros", ela disse. "Só quero que saibam a verdade." Revelou que acompanhou seu pai em dois dos assassinatos, que escreveu uma carta em nome de seu pai ao fiscal Melvin Belli e que tem sob sua guarda um dos "troféus" de seu pai: os óculos daquele que até agora foi sua última vítima confirmada, um taxista assassinado em 1969 - um objeto que, segundo a investigação policial, desapareceu da cena do crime. A carta que ela diz ter escrito, datada de dezembro de 1969, poderia ser, de fato, obra de uma criança. Cheia de erros de ortografia, começava com um: "Querido Melvin, sou o Zodíaco, te desejo um Feliz Natal".

Pérez contratou os serviços da empresa de relações públicas Edward Lozzi, e está finalizando um documentário sobre a vida de seu pai, no qual detalha as provas que demonstram que ele foi o Zodíaco. Ela disse que, ainda que a polícia só tenha confirmado cinco vítimas do assassino, seu pai matou mais de 30, e que carregava um caderno, hoje desaparecido, no qual escrevia e ilustrava sobre seus assassinatos. Em suas cartas, o Zodíaco disse ter matado 37 pessoas.

Em muitos de seus assassinatos ele seguiu um mesmo padrão: atacou casais de jovens que estavam em algum encontro romântico. Aparecia do nada, com um revólver ou com uma faca na mão, às vezes usando um capuz. Algumas de suas vítimas escaparam e puderam relatar o fato. Em outras ocasiões, o agressor sequestrou mulheres sozinhas na estrada ou assassinou taxistas à queima-roupa.

A suposta filha do Zodíaco começou a ligar os pontos em 2007. Então lançaram um filme de David Fincher sobre este caso, protagonizado por Jake Gyllenhall e Robert Downey Jr. A mídia norte-americana reviveu a febre dos assassinos em série. O programa "K" exibiu um especial sobre o Zodíaco. E Pérez reconheceu seu pai em um retrato-falado. Quando era pequena, não havia se dado conta de que naquela noite em que seu pai a levou para dar um passeio, não tinha ouvido dois rojões, mas sim dois tiros.

"Reconheci aquela pessoa como meu pai", ela disse. "Investiguei sobre o Assassino do Zodíaco", e me surpreendi de encontrar cartões e cartas da polícia que haviam sido escritas por meu pai ou por mim mesma". Nesse exercício de autoanálise, Pérez se lembrou de como escreveu aquela carta, porque pensava que seu pai precisava de ajuda urgente.

Todos os anos o "Chronicle" recebe centenas de cartas e telefonemas de cidadãos que dizem conhecer a verdadeira identidade do Zodíaco. Até agora, a própria família de Pérez desmentiu sua versão dos fatos. Sua irmã, Janice Hendrickson, 65, disse que seu pai "não faria mal a uma mosca". Contudo, Pérez diz ter provas que, com uma análise de DNA, podem ser determinantes. A polícia garante que retomará um caso que nunca foi totalmente encerrado.

Tradução: Lana Lim

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