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06/05/2009

Por onde anda Osama bin Laden?

El País
José María Irujo
Osama bin Laden está vivo? O homem que anunciou ao mundo que o terrorista saudita tinha sobrevivido à invasão do Afeganistão pelos EUA em 2001 já não pode responder a essa pergunta. Abu Laith al Libi morreu em fevereiro passado sob uma chuva de mísseis que arrasou como uma tormenta de fogo uma aldeia na região tribal de Waziristão do Norte, fronteira entre Afeganistão e Paquistão, o novo feudo das hostes da Al Qaeda e possível refúgio do homem mais procurado do planeta.

O veterano jihadista, escudeiro de Osama bin Laden e dirigente do Grupo Guerrilheiro Islâmico Líbio, um movimento associado à Al Qaeda, saltou para a fama pelo vídeo em que comunicou que seu emir continua vivo; que milhares de soldados americanos e britânicos mobilizados em um país primitivo não tinham conseguido localizá-lo com seus satélites e aviões teleguiados; que o exército mais poderoso do mundo não foi capaz de encontrar um barbudo que fugia em lombo de burro com sua tropa para as cavernas de Tora Bora.

"Quando entramos em Cabul estávamos convencidos de que vários meses depois, o que nos custasse subir as montanhas de Tora Bora, ele cairia em nossas garras, mas nos enganamos mais uma vez. Menosprezamos um sujeito que golpeou o coração de nosso país porque não lhe demos antes a atenção devida", lamenta um agente da CIA, destacado então no consulado dos EUA em Karachi (Paquistão), depois transferido para a Europa e hoje operando no Iraque. Uma prova da cegueira do serviço de inteligência americano é dada por um fato simples e rotundo: o nome de Bin Laden só apareceu publicado no "New York Times" em 1994. É descrito como um financista que apoiava grupos islâmicos. O atentado contra o World Trade Center em Nova York havia ocorrido meses antes.

Oito anos depois da invasão do Afeganistão pelos EUA, a morte do jihadista líbio em seu refúgio no Waziristão do Norte foi anunciado por um site islâmico - hoje são mais de 5 mil na rede mundial - e ainda se especula sobre a sorte de Bin Laden, o rico financista saudita que nos anos 1980 empregou sua fortuna para ajudar os taleban a expulsar os soviéticos do Afeganistão, o samaritano que visitava os hospitais para recitar o Corão aos jihadistas feridos, dar-lhes caramelos e anotar o endereço de suas famílias para lhes enviar um donativo anônimo.

Hoje Asif Ali Zardari, presidente do Paquistão, o epicentro do jihadismo mundial, indica que "talvez Bin Laden esteja morto", mas reconhece que o temível ISI, o serviço de inteligência paquistanês, não tem provas. Os EUA negam e sua fotografia continua na lista dos terroristas mais procurados. Oferece-se uma recompensa de US$ 50 milhões a quem der indícios que conduzam a seu paradeiro. Em 10 de março passado Bin Laden completou 52 anos.

Desde que o líbio Abu Laith al Libi afirmou que Bin Laden tinha sobrevivido aos bombardeios em seu refúgio na montanha de Tora Bora, a cerca de 50 km de Jalalabad, o dirigente da Al Qaeda deu provas de estar vivo, uma série de vídeos e gravações emitidas pela rede Al Jazira, que se transformou em sua plataforma preferida para saciar uma de suas obsessões: internacionalizar a jihad. A última encenação d'O Diretor, um dos apelidos dados por seus fiéis, foi em 15 de março passado em uma gravação sonora na qual acusou os países árabes "moderados" de conspirar contra a nação muçulmana. Em 14 de janeiro o saudita apareceu em um vídeo atacando Israel pela ofensiva em Gaza.

Todos os vídeos de Bin Laden, incluindo o emitido em 2003 no qual citou a Espanha como alvo, um anúncio macabro da chacina em Atocha, foram validados por especialistas em imagens e voz da comunidade de inteligência americana. "Não há dúvidas sobre sua autenticidade. Os relatórios que recebemos dos serviços amigos indicam que está vivo, mas isolado de sua gente", afirma um responsável antiterrorista espanhol.

Há apenas cinco meses Michael Hayden, então diretor da CIA, afirmou aos membros do Conselho Atlântico dos EUA que Bin Laden vive e se esconde em uma zona não identificada na fronteira montanhosa entre Afeganistão e Paquistão. "Parece estar muito isolado das operações do dia-a-dia da rede que chefia", disse Hayden. O responsável pela CIA revelou que Bin Laden dedica seu esforço à sobreviver e estreitar alianças com grupos no norte da África para atacar na Europa.

O Grupo Salafista para a Pregação e o Combate se transformou em seu aliado nessa área e ameaça atacar países como França e Espanha. Bin Laden o financiou, emprestou seus campos de treinamento no Afeganistão e seus militantes são hoje seu cavalo de Tróia na Europa. Eles deram mais uma prova de que o emir vive quando afirmaram em um comunicado que Bin Laden os havia autorizado a se rebatizar como Al Qaeda no Magreb. "Desejávamos fazer isso desde o primeiro dia em que nos unimos, mas consultamos o xeque Osama bin Laden, que transmitiu sua ordem e decisão", indicaram em um comunicado. "Ele está vivo, a CIA não o encontra na área tribal porque não tem pessoas que falem pashtun", afirma o professor Rohan Gunaratna em sua casa em Cingapura.

Bin Laden é um asceta que fugiu da decadente riqueza de sua família como da peste. Alimenta-se de verduras, iogurte, sopa, pão afegão e não come carne, segundo relataram vários ex-jihadistas, e dedica horas à leitura e meditação. Está há mais de uma década vivendo em aldeias tribais, longe da civilização. O complexo subterrâneo de Tora Bora onde se refugiou depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, construído com dinheiro saudita e sob auspícios do serviço secreto paquistanês, contava com hospital, mesquita, enfermaria, sala de comunicações, biblioteca e dormitórios. Uma cidade secreta semelhante ao complexo de Yayi, perto da cidade paquistanesa de Parachinar, onde geógrafos da Universidade da Califórnia em Los Angeles acreditam que se refugia o homem que mantém em alerta todos os espiões do planeta.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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