UOL Notícias Internacional
 

07/05/2009

México anuncia estímulos para reduzir os efeitos econômicos da nova gripe

El País
Salvador Camarena Na Cidade do México (México)
O tom triunfal que o governo mexicano adotou nas últimas horas para anunciar o começo do fim da emergência enfrentará uma prova de fogo: a queda "demolidora" que vive o setor turístico do México, o terceiro em captação de divisas estrangeiras (aporta US$ 13 bilhões anuais), atrás somente das receitas do petróleo e das remessas enviadas pelos mexicanos que vivem fora do país.

Por isso desde terça-feira os refletores deram um alívio ao ministro da Saúde - o número de mortos se mantém em 26 em todo o país e na capital não houve mortes em cinco dias - e se concentram agora no da Fazenda, Agustín Carstens, que anunciou um pacote de medidas de apoio aos empresários de 1 bilhão de euros (17 bilhões de pesos mexicanos) para tentar atenuar os efeitos da epidemia de H1N1 na economia mexicana.

Com exceção de uma brusca depreciação do peso nas primeiras 12 semanas de 2009, que praticamente já se abrandou, o México completava o primeiro trimestre com uma aparente tranquilidade econômica. Mas poucas horas antes da emergência começaram a surgir sinais de alarme. Em conjunto, a indústria da construção se contraiu 8% nos primeiros três meses do ano, e as autoridades financeiras já atualizam sua previsão de queda do PIB para 4%, número que coincide com o de analistas independentes.

Carstens já havia indicado na semana passada que a nova gripe prejudicaria em até meio ponto do PIB o crescimento do México, mas o ministro também insistiu que, conforme se comportaram outras economias quando são afetadas por epidemias parecidas, a recuperação será rápida, pois "não foi destruída" a infra-estrutura, como ocorre em desastres naturais como furacões ou terremotos.

Por enquanto, o governo federal calcula que no pior cenário a queda da arrecadação fiscal pode ser de US$ 10 bilhões, e que para atenuar isso não aplicará nenhuma nova carga fiscal. Ao contrário, anunciou um pacote diversificado de estímulos:

Durante maio e junho, 95% das pequenas e médias empresas poderão descontar 20% de pagamentos à seguridade social, isto é, cada companhia poderá deduzir um montante equivalente a 35 mil pesos (2 mil euros).

Haverá apoios concretos para a indústria hoteleira, assim como para as entidades que por sua vez tenham menos receitas pelos impostos que aplicam nesse setor. Da mesma forma, as companhias aéreas terão durante um trimestre descontos de 50% no pagamento que devem fazer por utilizar o espaço aéreo mexicano. E tentando fazer os cruzeiros atracar novamente nos portos mexicanos - eles deixaram de parar aqui depois do surto -, durante maio, junho e julho essas embarcações e seus turistas pagarão menos.

Além disso, o governo da Cidade do México também anunciou que criará um conselho para reativação econômica, pois as medidas de contenção causaram perdas de cerca de 8 bilhões de pesos (aproximadamente 500 milhões de euros), segundo contas informadas na terça-feira pela Câmara de Comércio da capital. Para esta quarta-feira estava prevista a normalização das atividades dos restaurantes. Permanecem fechados os bares, teatros, cinemas e estádios esportivos. As atividades escolares e universitárias recomeçam nesta quinta-feira e a educação primária, na segunda.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host