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07/05/2009

"Piqueteiros" exigem da presidente argentina espaço nas chapas eleitorais

El País
Soledad Gallego-Díaz Em Buenos Aires (Argentina)
Luis d'Elía tem um aspecto de boxeador aposentado, inclusive uma certa semelhança com Paulino Uzcudun, mas as aparências podem enganar: é também um orador muito eficaz, que maneja com soltura a linguagem marxista-popular, um antigo professor que se converteu no dirigente piqueteiro mais importante da Argentina, sempre disposto a sair à rua ou lançar seu pessoal contra os "inimigos" dos Kirchner. D'Elía e outros dirigentes populares como ele nasceram no calor da crise de 2001 e da terrível falta de representatividade que sofriam as instituições argentinas naquele momento, mas agora querem lugar nessas mesmas instituições e pressionam para encontrar um espaço nas chapas para as eleições de 28 de junho.

O prazo para a apresentação de candidaturas se encerra no próximo sábado, mas ninguém sabe ainda quem vai integrar as listas da Frente para a Vitória (de Kirchner) na província de Buenos Aires, seu grande feudo, e na capital. D'Elía apoia os Kirchner, mas nos últimos dias mostrou-se irritado com a frieza do ex-presidente para incluir a ele e a outros representantes do movimento "piqueteiro" nas candidaturas. Sobretudo porque notícias não-confirmadas afirmam que Néstor Kirchner encontrou lugar para personagens como as atrizes Nacha Guevara ou Andrea del Boca. "Em 9 de maio é preciso encerrar as chapas, e vão entrar os puxa-sacos e os alcaguetes", queixou-se D'Elía, furioso.

A possibilidade de que a presidente Cristina Fernández de Kirchner tenha oferecido um lugar para Andrea del Boca, sobretudo, deixa D'Elía frenético. Del Boca, 44 anos, é muito popular por seus papéis nas telenovelas argentinas, mas não tem muita trajetória política conhecida. Pelo menos Nacha Guevara, 69, viveu no exílio e sempre manteve uma militância peronista. Além disso, Nacha protagonizou durante meses o musical "Evita", a ponto de sua imagem e a do ícone peronista se confundirem.

Os aficionados da psicanálise a chamam com humor de "operação transferência". Guevara, dizem, levará a todos os recantos da província de Buenos Aires a ressurreição do mito do "compromisso com os despossuídos". (Os jornais locais informam que a produção de "Evita" foi financiada em 20% com dinheiro do governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, grande apoio dos Kirchner.)

D'Elía, que foi subsecretário de Meio Ambiente no Ministério da Habitação no primeiro governo de Néstor Kirchner e perdeu o cargo por seu descarado e nunca bem compreendido apoio público ao Irã, convocou na quarta-feira uma entrevista coletiva na qual foi notável sua baixada de tom: "Estejamos ou não na chapa, nosso apoio ao companheiro Néstor Kirchner é indiscutível". Membros da Central de Movimentos Populares (CMP), que ele preside, afirmam que os contatos com Kirchner já estão solucionados. A grande marcha que a CPM pretende realizar na quinta se desenvolverá, portanto, com a paz assinada. O casal presidencial precisa desesperadamente garantir o apoio do "conurbano" de Buenos Aires e D'Elía, finalmente, não vai falhar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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