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09/05/2009

Quais as opções diante dos perigos da internet para os filhos?

El País
Laia Reventós
Várias empresas oferecem detectores de temas sexuais nos "chats" de menores. A melhor ferramenta: filtrar, controlar, informar e depois permitir a liberdade. Gestão sim, fiscalização não

Na casa de Joan e Albert não há internet. Os dois adolescentes estão há oito anos tentando convencer seu pai a instalá-la. Este considera que há conteúdos "inadequados" demais. Sua negativa não impede que eles naveguem em casa de amigos e em cibercafés.

Outros pais são do extremo oposto. Preferem que seu rebento deixe as energias diante da tela antes que "engravide alguma menina ou se infecte com Aids", diz o psiquiatra infantil Paulino Castells. "Para eles a internet é como um preservativo."

As atitudes opostas dessas duas famílias são uma demonstração da confusão dos pais sobre a utilização das tecnologias, especialmente da internet, por parte de seus filhos menores.

Segurança versus privacidade. Onde está o limite? Eles também têm direito à intimidade (no domingo se comemora o dia mundial do menor).

"O problema é que não tem quem o forme no uso de uma ferramenta muito poderosa. Pode ser uma ajuda ou uma ameaça. Dá-la sem formá-lo é o mesmo que lhe entregar o carro sem que saiba conduzir. A internet pode atuar em benefício de seu filho se você o controlar", afirma Guillermo Cánovas, presidente da associação Protégeles (Proteja-os).

Castells relativiza os perigos da rede. "Nem todos os pais que dão um tapa são agressores. A realidade da mídia superdimensiona as coisas, que também não são tão graves. O problema é que a tela não é capaz de detectar o frágil, e, portanto, se deve proteger a todos. A tecnologia é maravilhosa, mas é preciso dosá-la para evitar problemas, como em todos os âmbitos da vida."

As ameaças não são exclusivas do menor, embora ele esteja mais exposto porque "domina a ferramenta e age diante dela sem temor. A comunicação (mensagens, bate-papo, fóruns...) que o põe ao alcance dos que mentem sobre sua identidade para fazer contato; a publicação de dados pessoais de forma descontrolada nas redes sociais e o spam gerado por seus contatos, em quem confia, são os principais riscos", considera Emilio Castellote, diretor de marketing de produto da Panda.

Embora a maioria das famílias estabeleça normas de uso e 95% dos computadores domésticos tenham proteção contra "malware" (vírus, trojans...), só 2,7% têm instalados sistemas de controle dos pais ou filtros de conteúdo. O dado aparece no Estudo sobre Hábitos Seguros no Uso das TIC por crianças e adolescentes e e-confiança de seus pais, do Instituto Nacional das Tecnologias da Comunicação (Inteco).

Esses sistemas vêm com programas de segurança, "mas têm de ser ativados e seus parâmetros definidos", conta Javier Ildefonso, diretor de marketing de produtos da Symantec. A companhia trabalha para que "informem sobre a atividade do menor sem que seja preciso programar previamente".

Sites como Protégeles.com, Menorenlared.com, Protegeatushijos.com, Chaval.es ou www.norton.com.es/familias os oferecem. Esses sites também facilitam informação e recursos para pais, crianças e educadores.

"A maioria dos sistemas é binária: autoriza ou impede o acesso a um site, mas não controla o que se coloca na rede. Diante da necessidade de inspecionar os 'uploads', estão sendo dotados de mais inteligência", conta José María Hidalgo, da companhia de segurança Optonet. "A filtragem é só da web. P2P, mensagens instantâneas, correio eletrônico, mundos virtuais e outras ferramentas são mais difíceis de controlar", acrescenta.

Os especialistas concordam que proibir a internet ao menor não é o caminho. Se não o deixarem navegar em casa, o fará em outro lugar. Todos recomendam colocar o computador em espaços compartilhados e instalar sistemas de controle parental, mas sobretudo ensinar a navegar de forma segura. "É uma questão de confiança. Se os pais suspeitam, que atuem: ninguém conhece seus filhos melhor que eles. Mas como hobby não devem violar sua privacidade. Mais que controlar, é preciso informar para que adquiram seus critérios sem esquecer que eles detêm o comando."

"Não somos partidários de controlar nem da intromissão em seu entorno. A chave é ensinar", diz Castellote.

Hidalgo considera que se deve agir em função da idade. "Primeiro é preciso filtrar, depois monitorar e finalmente abrir para a livre navegação, quando tiver adquirido um espírito crítico e conheça os riscos."

Sua empresa criou o Telemaco, um sistema que detecta conversas com componentes de assédio sexual em espanhol. "Se suspeita, envia alertas ao tutor." Para "antecipar-se ao pederasta" estão preparando um "avatar infantil para ambientes virtuais". Sua missão será interagir com seus habitantes. "Dessas conversas se obtêm evidências de que outro avatar poderia ser um pedófilo. Como não é 100% confiável, deve ser revisado por uma pessoa", diz Hidalgo.

No decálogo do bom uso da internet enquanto Chaval.es, recomendam aos pais ferramentas que "gravem as conversas e técnicas de hacker" para controlar seus filhos.

"É preciso dar aplicativos de gestão, mas não de fiscalização", opina Luis Miguel García, diretor de segurança e privacidade da Microsoft Ibérica.

O Windows Live Care Protección Infantil administra o acesso à navegação e mensagens instantâneas. "O acesso é feito de um navegador, de maneira que o pai administra o que seu filho faz de maneira remota." O sistema define a proteção e os contatos autorizados segundo a idade. Se o menor quiser ampliar o leque, deverá pedir a seu pai. Ambos terão de dialogar. Norton, Panda e Optonet têm aplicativos semelhantes.

"Se os pais não escutam as conversas no pátio do colégio, também não devem fazê-lo online. Uma coisa é espionar e outra muito diferente impedir que entre em um bate-papo sexual. É o que permitem os sistemas de controle parental", afirma Cánovas.

Marc navega livremente em casa. As redes sociais, a imprensa esportiva e o download de jogos, música e filmes são seus passatempos preferidos. O adolescente de 17 anos não tem problemas em deixar seus dados nos sites que visita. Acredita que são seguros.

Ao Tuenti ((5,5 milhões de assinantes) se tem acesso através de convite. "Se houver problemas, podemos traçar a procedência das pessoas", diz seu porta-voz, Ícaro Moyano. Ao não indexar seus conteúdos em sites de busca como Facebook ou Twitter, "renunciamos a um enorme volume de tráfego, mas garantimos que o que acontece no Tuenti fica na rede social. É nosso compromisso de qualidade", diz Moyano. E acrescenta: "Só 4,7% deixam entrar em seu perfil toda a comunidade. A maioria (75%) autoriza que os amigos vejam seus conteúdos, mas impede que os descarreguem."

Habbo Hotel (com 21 milhões de latinos registrados) é uma comunidade virtual para adolescentes. Funciona em espanhol desde 2003. No Habbo cada um cria seu avatar para se relacionar com os outros. O site tem 14 moderadores que atendem 24 horas em turnos de cinco horas. Sua tarefa consiste em cuidar para que sejam cumpridas as normas de comportamento e as regras de segurança para menores na internet. "Atuamos através de alertas que os usuários nos enviam, cuja veracidade comprovamos. Também lemos as conversas, sobretudo as de risco", explica Raquel Álvarez, responsável pela comunidade. Em seus termos de uso se reserva o "direito de ler as conversas. Em troca de ser um lugar mais seguro há menos intimidade. É o equilíbrio que tentamos manter".

No Tuenti não há moderação. A comunidade se autorregulamenta. "A melhor solução é dar ferramentas para que eles possam advertir sobre as ameaças."

A média de idade no Tuenti é de 24 anos. No Habbo, 15. Sabem com certeza? Se fossem menores e mentissem sobre a idade também entrariam. Como em tantos sites. Apesar de a maioria proibir o acesso aos menores de 14 anos, diz que não tem instrumentos para detectá-lo. O Tuenti se comprometeu com a Agência Espanhola de Proteção de Dados a implantar sistemas eficazes de verificação de idade. Também vão depurar os perfis dos menores de 14 anos em três meses. "É incrível que não tenham as obrigações do mundo offline. Por que não exigem deles o mesmo que dos donos de discotecas? Não é impossível. É só questão de vontade", afirma Cánovas.

A Protégeles criou em 2007 o Micueva, um espaço proibido para adultos. Para ser membro é preciso dar nome, sobrenome e telefone. "Telefonamos para garantir que cumpre o requisito. Obviamente não podemos atender a 10 mil por dia, mas o objetivo não é a rentabilidade."

As empresas que operam na internet devem proteger os direitos do cidadão. Por exemplo, retirar e denunciar conteúdos ilegais como pornografia. Tradicionalmente, utilizar os sistemas de etiquetagem por palavras chaves. Qualquer referência considerada imprópria é eliminada. Como o sistema não é totalmente confiável (como se sabe se "sexo" é usado em contexto médico, literário ou pornográfico?), também é revisado manualmente. "É uma tarefa exaustiva, e atuam sob demanda, quando recebem o aviso", diz Hidalgo.

Outro método é a elaboração de listas negras na web. Hoje começam a ser aplicados sistemas de análise inteligente que ajudam a catalogar e revisar. "Rastreiam tudo e se detectam conteúdos ilícitos alertam o administrador." Alguns são capazes de detectar imagens pornográficas com base em sua forma, posição, cor e textura, sem prestar atenção no texto que a rodeia. "São programas de inteligência artificial, mas nunca darão 100% de eficácia. No final sempre há uma verificação manual", admite Hidalgo.

A ajuda técnica sempre é boa, mas os pais não deveriam delegar ao software a educação de seus filhos, afirmam os especialistas. "Os menores devem aprender a usar a internet de forma autônoma, eficaz e reflexiva. Geralmente os pais e professores sabem menos que eles. Essa realidade tem uma leitura positiva na aula. O professor, sempre supervisionando, pode dar mais protagonismo ao aluno mais avançado para transformá-lo pontualmente no transmissor de informação", considera Josep María Silva, professor escolar e universitário de tecnologia educacional.

Também não se deve subestimar o menor. Lisa gosta de Fotolog e Facebook, onde coloca fotos suas e de seus amigos. A menina de 13 anos sabe que não deve dar dados sobre si mesma. "Quando faço isso, eu invento." Segundo o Norton Online Living Report, 25% dos menores como Lisa admitem seus pais entre seus contatos de redes sociais.

Conversas moderadas
A Microsoft fechou os chats do MSN em 2003. O serviço tinha se transformado em difusor de pornografia e spam. Também "evitamos problemas com a moderação dos conteúdos", diz Luis Miguel García, de Microsoft Ibérica.

Outros serviços na rede e no celular moderam fóruns, bate-papos e comentários. Sites que compartilham adultos e menores. "Entre fazer isso ou não pode implicar o fechamento pela perda de credibilidade diante de opiniões disparatadas", afirma Joan Llorach, fundador da Interactora, que presta serviço para veículos de mídia e operadoras, entre outros.

Sua filtragem é automática e manual. "Não consiste somente em saber detectar os duplicados ou insultos, o desrespeitoso, o sabotador e o que aproveita para vender. Implica que todos os moderadores tenham o mesmo critério", opina Llorach.

Não falamos de conversas privadas, não são moderadas, mas das públicas. Llorach acredita que o menor não deveria fazer chats privados. "O único caso em que a segurança tem primazia sobre a privacidade."

A Xarago modera os meios (como os do Prisa, editora de "El País"). Os comentários são lidos antes de sua publicação na web. "O único filtro é o bom senso. Admite-se a crítica sempre que não ofenda", diz Ángel Sopeña, sócio da empresa.

Também supervisiona comportamentos inadequados. "São sancionados com a perda de pontos do perfil. Se reincidir, pode chegar a ser expulso." Não há limite de idade para participar. Pela escrita "detectamos se é menor. Ao moderar, aumenta a participação. As pessoas gostam quando retiram a porcaria. Para o menino, ajuda a se comportar."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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