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12/05/2009

"Israel caminha para o fascismo", diz vereador de Jerusalém

El País
M. Mora e J. M. Muñoz Em Jerusalém
Meir Margalit (nascido em Buenos Aires em 1952), conselheiro do partido de esquerda Meretz na prefeitura de Jerusalém e pacifista convicto, sente-se cada vez mais isolado em seu país. Na segunda-feira (11) foi um dos sete vereadores que participaram da recepção ao papa: "Os outros 24 não foram. Os direitistas porque o consideram antissemita, e os ultraortodoxos porque é cristão". Crítico da ocupação dos territórios palestinos, Margalit não deixa de acreditar na utopia da paz, mas adverte que "Israel está chegando ao ponto sem retorno em que a guerra é mais rentável".

El País - Para o senhor, qual é o objetivo da viagem do papa?
Meir Margalit -
Creio que tem um desejo honesto de peregrinar, e desejos de mediar no conflito, entre outras coisas para cuidar dos interesses da Igreja. Em 1967 havia 16 mil cristãos em Jerusalém, hoje são 11 mil. Se a cidade for dividida, é lógico que queiram estar presentes nas negociações.

EP - Ele tem poder para isso?
Margalit -
O peso da Igreja Católica nos EUA é grande, pode negociar através de terceiros. Não há um dia em que Washington não mande mensagem a Netanyahu para tentar abrandá-lo. Creio que a visita se insere nessa nova tentativa.

EP - E o que Israel busca com a viagem? Perdão, imagem, negócio?
Margalit -
Os peregrinos gastam pouco, por isso não creio que procure isso. Uma boa razão é limpar sua imagem deteriorada. Os jornalistas verão só uma cara da moeda. A discriminação não será mostrada. As casas derrubadas, os controles e o absoluto abandono oficial das escolas palestinas, tudo isso não será visto.

EP - Israel quer realmente a paz?
Margalit -
O conflito tem muitas causas. A política é uma, mas a religião aqui não é santa, a economia do país é que é. A tecnologia militar e a indústria de segurança são fundamentais. Com a alma digo que meu país quer a paz, mas com a cabeça penso que a guerra é irreversível.

EP - Ninguém denuncia isso?
Margalit -
Há 80% de fundamentalistas. Cresceu o número de jovens que evitam fazer o serviço militar. O descontentamento está rugindo e pode explodir.

EP - Seria o cúmulo se Israel acabasse se parecendo com um Estado fascista...
Margalit -
Se um país fala como fascista, caminha como fascista e atua como fascista, é um país fascista. Estamos nos comportando assim. Muitas coisas lembram a Alemanha de 1933. Só nos salvaremos se reconhecermos isso.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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